Gosto de caminhar e costumo utilizar o transporte coletivo de Curitiba, principalmente para vir ao trabalho. Impossível, na viagem diária, não notar coisas que transformam o trajeto naquela experiência que você ri para não chorar.
Pedintes em ônibus. Já dei um monte de moedas para gente que expõe suas malezas, as do filho, as do pai, sei lá. Tudo bem, é bom ajudar quando a gente pode. Só que quando você encontra a figura diariamente cantarolando aquele texto decorado em velocidade maior que de narração de jogo de futebol (algumas vezes até espero a pessoa gritar gol no final), passa a desconfiar um pouco se na verdade não é mais uma forma de ganhar dinheiro fácil. Maldade minha, a maioria precisa mesmo.
Entrada e saída de personagens regulares. Parece mudanças de elenco em diferentes temporadas de seriado. A senhora que adora falar alto no celular dentro do ônibus, a jovem mascadora de chicletes, o casal moderninho conversando sobre a balada louca da quarta passada. Eis, que, de tempos em tempos, essas figuras desaparecem. E outras entram no lugar. Ainda bem que sempre tem uma representante do alívio cômico.
O karaokê. Celulares com música e tocadores de MP3 deveriam vir com manual de ética. As figuras simplesmente aumentam o volume de canções célebres da Kelly Key, do Jota Quest ou qualquer funk pancadão e não ficam lá, pensando que estão no chuveiro, em pleno fundo do busão. Vergonha alheia misturado com vontade de ejetar esses indivíduos.
No terminal de ônibus. O que dizer dos ambulantes vendendo três filmes em DVD por R$ 10? Sem entrar no mérito da discussão sobre pirataria, o que chama a atenção mesmo é a disposição despudorada das capas de filmes pornô na primeira fileira, com cenas explícitas de fazer Hugh Hefner corar de vergonha. Tragicômico.

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