"Hey, teachers, leave the emos alone!", cantaria o Pink Floyd, fosse o hit da banda inventado hoje. Coisa chata essa pentelhação em cima dessa turma. Ainda que sofram pressão e preconceito de todas as camadas sociais possíveis, resistem, bravamente. Reproduzo aqui, com exclusividade, a fala de um casal da turma.
- Eu te amo.
- Mais eu amo mais.
- Você ou eu?
- Amo mais você do que você me ama e se ama juntos.
- Não creio. Eu amo mais do que o amor é capaz. Eu não amo. Eu emo você.
- Hehe. Somos, então, nemorados.
- Hehe. Isso, boa. Você é meu nemo. Estive procurando nemo e, por fim, te encontrei.
- Foi péssima. Mas gostei. Eu, teu nemo; você, minha nema. Logo, emo você.
- Emo, logo existo.
- Emo, você não existe. Não te encontrei nos romances. Tampouco na poesia.
- Foi no filme da Disney. Lembre que antes éramos Mickey e Minnie. Somente personagens da imaginação infantil poderiam ser tão felizes.
- Felícia Adams seria o teu nome. Qual o meu?
- Nemo. Nemo e Felícia. Gostei. E os filhos como chamaremos?
- Ema, se for mulher.
- Pirilampo, se for homem.
- Emo, se for emo.
- Hahuahau. Auto-ironia é coisa boa. Todo mundo deveria olhar-se no espelho e dar uma risadinha.
- Qual é, mano, tá me tirando para emo? Hehe.
- Isso, isso. Vamos fazer caretas de durão e dar gargalhadas.
- Nada importante. Somente que vamos ter um casal de filhos. Pirilampo e Ema. Nomes legais, não?
- Será que serão felizes por serem filhos de um casal emo?
- Mudei de idéia. Se for homem, vai chamar Omo.
- Brilhante, se for mulher será Brilhante.
- Que sejam gêmeas então as irmãs de Omo: Brilhante e Ema.
- Ótimo. Ser emo é o que há. As pessoas estão preocupadas com o jeito que vestimos e pensamos. Mas nós é que somos felizes.
- Somos felícias, e vivemos uma felicidade deliciosa. Sinto pena do mundo. Ou nada sinto, sei lá. Sou mais eu e tou na boa.
- Isso aí. Viva o nosso jeito de ser. E cada um no seu quadrado.

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