Fui demitido duas vezes. A primeira, depois de oito anos de serviços prestados, por ''motivos pessoais''. Alguém lá em cima não gostava de mim, ou do meu estilo, como me disseram na sala de reuniões.
Na segunda vez, fui para a rua com outros 40 colegas, em um desses processos de reestruturação. Se a empresa não reduzisse gastos, deixaria de dar o retorno desejado pelos acionistas. Optou-se pelo corte de pessoas.
Em ambas as ocasiões, não senti um pingo de revolta. Fiquei apavorado, claro, principalmente porque tenho duas boquinhas para alimentar. Mas como minha competência não foi posta em xeque, coloquei a auto-estima em dia e tratei de me reavaliar. Entre várias reflexões, reconheci que também cometi muitos erros.
Um deles foi não perceber algo que os filósofos contemporâneos têm dito de uns tempos para cá: trabalhar e aprender estão virando a mesma coisa. ''Tudo muda o tempo todo no mundo'', diriam Lulu Santos, Nelson Motta e os monges taoístas. Pois, no mundo de hoje, tudo muda ainda mais rápido. E quem ficar na chamada zona do conforto corre o risco de ficar para trás.
A única forma de se manter vivo e são nesse sistema exigente é priorizar o aprendizado contínuo. Se você trabalha em uma função que desempenha até de olhos fechados, pode começar a se preocupar. Logo vão encontrar alguém tão ou mais eficiente - e por um salário menor.
Reinvenção é a palavra-chave aqui, mesmo que o mercado não reconheça seu esforço. O importante é mudar, abrir-se para o novo. Nem que seja para, no fim da jornada, repetir o que um mestre me disse uma vez: ''Tenho errado muito, mas aprendido bastante''.

mockup