O caso aconteceu no Rio Grande do Sul, mas ganhou repercussão nacional, quem sabe internacional. Minutos depois de furtar um carro, um ladrão de Passo Fundo decidiu abandonar o Monza e avisar a polícia. O motivo, tinha um ''piazinho'' dormindo no banco de trás. A gravação da conversa entre o meliante e a polícia viajou do Oiapoque ao Chuí:
- Seguinte, ó, vou ser bem sincero pra ti. Eu roubei um carro ali, agora. E peguei o carro e tinha uma criança dentro, cara. E não vi, entendeu, não vi (...) Então tu manda uma viatura lá e manda o pai dele pegar ele e levar pra casa. Um piazinho, tá.
Os pais, que haviam parado em um barzinho para tomar uma cerveja ou conversar com amigos só perceberam o sumiço do carro e do garoto quando a polícia veio devolver. Constrangimento, arrependimento e a história terminou com o casal justificando o injustificável. Sem falar na ameaça de um inquérito policial por abandono de incapaz (dormindo no banco de trás do carro).
Com criança, todo o cuidado é pouco. Está aí um ensinamento que é bom repetir sempre. Em uma ocasião minha filha caçula, então com dois anos, resolveu se aventurar em um passeio pela cidade acompanhada da prima, um ano mais velha. A família acabava de retornar da missa de sétimo dia do meu sogro, preparávamos um café da manhã para os parentes que vinham de longe e eu deduzi que as meninas haviam saído com um cunhado. No entanto, o cunhado saiu sozinho ...
O pior (ou o melhor) é que assim como os pais de Passo Fundo, eu só fui saber do sumiço das garotas quando um casal tocou a campainha da casa da minha sogra para perguntar se havíamos ''perdido'' duas crianças. O bom de cidade pequena é isso, todo mundo se conhece.
Semelhante aos pais de Passo Fundo, constrangimento, arrependimento e aquela paranóia de não ser uma boa mãe. A lição que aprendi é que mãe não pode deduzir nada. Tem que ter certeza do paradeiro dos filhos pequenos nem que para isso precise checar a cada cinco minutos o que as crianças estão fazendo. Ou seria um período de tempo mais curto ainda?
A minha história também teve um final feliz, assim como a do piazinho gaúcho. Porém eu me arrepio de lembrar que tantas crianças desapareceram por conta de um descuido desse tipo. Minha filha e sobrinha passearam de 15 a 20 minutos pela cidade, caminharam por uma avenida movimentada e visitaram até o saguão de um hotel. Inclusive, o casal bondoso que as encontrou teve um pouco de dificuldade de convencê-las a voltar para casa, pois as meninas queriam continuar desbravando o território desconhecido.

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