Marcela Rocha Mendes
Equipe da Folha

É muito grosseiro chamar as pessoas de nomes feios e mandá-las fazer coisas que elas provavelmente não gostariam. De crianças somos ensinados que é pecado xingar os outros e falar palavrões até que, na puberdade, aprendemos as palavras "mágicas" e, quando menos esperamos, elas acabam escapando.
Não é bonito usar os palavrões, isso ninguém questiona. Mas é certo: temos que aprendê-los. De preferência em vários idiomas. Deveria ser a primeira coisa ensinada nas aulas de língua estrangeira. Com certeza precisaria estar nos guias rápidos de conversação para viagem. As operadoras de turismo deveriam ser obrigadas a entregar uma lista deles para cada cliente que vai além mar.
Não, crianças. Não é para sair usando-os a torto e a direito nas terras estrangeiras. É, pelo contrário, para não usá-los sem querer. Ou para saber identificá-los. Ou para usar, sim, quando bem merecido. E isso não vale só no exterior, não. Pense no gringo que vem para cá e acha que pode usar a boca suja bem à vontade... aprenda a resposta e deixe-o de cara no chão.
Tem algumas confusões famosas, como quando se pede uma concha em Buenos Aires e se recebe um olhar fusilante da moça na cozinha. Essa é velha. Mas quem imagina que se gritarmos: "fica aqui!" na Itália alguém vai pensar que estamos falando daquelas mesmas conchas argentinas?
Também é bom saber que se alguém nos chama de "connard" na França, mesmo com um grande sorriso no rosto, não merece um "merci". E se ouvirmos aquela bela frase que nos manda para um lugar nem um pouco agradável (esse existe em praticamente todas as línguas), é bom conhecer para não acharmos que é uma instrução para encontrar a tal atração turística.

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