HISTÓRIAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Estava demorando para começar o revival dos anos 90 na cultura popular (ou pop, como preferir). Era só uma questão de tempo mesmo, visto que, nessa seara, uma década ''nega'' a imediatamente anterior para resgatar valores da retrasada. Taí o exemplo do culto aos 80, já saturado (e vai tarde!).
Ainda nem chegamos em 2010 e o cheiro do ''noventismo'' começa a se espalhar pelo ar. São festas temáticas ali, livros e documentários acolá. Aos poucos, volta-se a falar em grunge, Pulp Fiction, Prodigy, É o Tchan!, Grupo Molejo (mellhor parar por aqui).
Pena que o papo, pelo menos por enquanto, restrinja-se à estética visual e musical do período. Porque há algo mais importante do que as camisas de flanela dos roqueiros de Seattle: a atitude vigente entre a juventude daqueles tempos.
Nos anos 90, o legal era ser tosco. Montar uma banda sem nunca ter segurado um instrumento. Escrever à mão o texto do encarte do CD. Produzir um fanzine e distribuir as fotocópias por aí. Ver filmes de baixo orçamento calcados apenas em diálogos espertos. Ouvir música eletrônica em inferninhos bizarros.
Enfim: quanto mais alternativo e independente, melhor. Sem se preocupar muito com imagem, prestígio, resultado - talvez a característica mais desgradável da cultura atual.
Mas, por favor, sem saudosismos. Meu tempo é hoje, como diria Paulinho da Viola. Portanto, nem se dê ao trabalho de me convidar para aquela festinha ''com os maiores hits da época''. Um encontro só de trintões, definitivamente, não é a minha concepção de uma noite perfeita.


