Não se trata, aqui, de outra elocubração sobre o filme mais polêmico do ano passado. Até porque, a esta altura do campeonato, já se sabe que Tropa de Elite é um espetáculo catártico de violência e vingança. Ou, no mínimo, o primeiro produto brasileiro no estilo de Rambo e Comando para Matar - o que dá na mesma.
Mas o longa de José Padilha ganhou o Urso de Ouro no festival de Berlim, e por mais que a decisão do júri seja contestada até hoje, o prêmio turbinou seu lançamento no exterior. Recentemente, Tropa chegou aos cinemas da Inglaterra. E, como não poderia deixar de ser, chamou a atenção da imprensa.
Em geral, as resenhas se concentraram na brutalidade das cenas e nos métodos controversos do Bope. Também destacaram o enorme sucesso do filme no Brasil, impulsionado pela distribuição de cópias piratas (definitivamente, o aspecto mais interessante que envolve sua trajetória).
O melhor texto, no entanto, é o mais pessoal. Peter Bradshaw, crítico do jornal The Guardian, esculhamba a produção - para ele, a ''mais decepcionante vencedora do Urso de Ouro''. Curto e grosso, Bradshaw termina o artigo com uma pérola (a tradução é livre): ''Receber um sermão reacionário de um marmanjo bombado de uniforme é a última coisa de que precisamos''.
Nada melhor do que uma opinião isenta para encerrar, de uma vez por todas, certas discussões.

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