Ah, suculento País elíseo que finalmente desceu até o Sul, trazendo o sol e junto consigo um pouco mais de felicidade. Oh, dias mais claros, mais vivos, mais sufocantes e que carregam nos raios prenetrantes de luz um pouco mais da lembrança de que a vida é para se viver. E nestes raios de sol, a vida vem cavalgante no lombo de um potro indomável: Uma ode à preguiça...
O sol finalmente chegou à Curitiba, incorporando a cidade ao Brasil. Para um pobre moço baiano como eu, isso é um acontecimento e tanto. É como a descoberta que se pode ser um pouco mais feliz nessa terra que tudo dá. Começam a brotar nas ruas as primeiras pernas de mulher; os generosos decotes que carregam a doçura aos pares. O sol me revela que as mulheres de Curitiba têm algo a mais que roupas e que elas têm corpos e que por baixo do negro das vestes elas têm vida e frescor.
Coxas quentes em passos apressados passeiam. Gotas de suor escorrendo pelo pescoço, dançando pelos ombros, infiltrando-se entre os seios e descendo pela barriga até a mãe de todas. As moças curitibanas procuram refresco no vento, na sombra de um prédio ou em gole de coca-cola. Ó cidade sem árvores, meu Deus...
O sol traz de volta seus pequenos bandidos que se escondiam do frio feito ratos. As mortes já começam a aparecer um pouco mais nos noticiários. No Centro, alguém vende uma pedra de ouro de tolo para outro alguém sentir o barato do calor. É o sol que vem montado no vento para fazer a cabeça.
Curitiba, quando arde, revela a mim camadas que eu não sabia que existiam. Muito da cidade se escondia no frio. Curitiba é agora para mim uma cebola - uma cebola de pétalas alvas que vão caindo no chão. Uma por uma, uma a cada dia. Não sei o que vou encontrar no centro dessa cebola, quando ela se despir toda - então adoro.

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