HISTÓRIAS - Tempo, tempo, mano velho
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Eu torço o tempo inteiro para o tempo passar. Torço para que chegue a hora do almoço. Torço para que chegue a quarta-feira, dia de ir no cinema. Aguardo ansiosamente o fim de semana. Marco no calendário quantos dias faltam para a festa de casamento da Gabriela, para a estréia da peça de teatro, para o dia do show da Madonna.
Começo a ficar ansiosa depois da metade do ano, quando começa a se aproximar o meu aniversário. Depois dele é hora de se preparar para o Natal. Depois carnaval. Então Páscoa. Festas Juninas. Risco os dias que faltam para as férias. Conto os meses que faltam para a viagem que desejo fazer em 1 ano e meio.
Mas, cinco minutos depois de reclamar para os colegas de trabalho que as horas não passam, que o dia não termina, me pego reclamando para o além que o tempo tem passado muito depressa. As eleições já foram? O que aconteceu com a semana? Para onde foram 10 meses? Parece ontem que eu tinha 15 anos...
Porque todos esses eventos aguardados passam muito depressa. Então reclamo: já acabou?
E assim se foi mais um ano. Porque agora as ruas começam a se enfeitar de vermelho e verde. Luzes e presépios. E, por mais que planejemos fazer as compras de Natal com um mês de antecedência (para evitar os shoppings e ruas do centro lotados), já será a semana do dia 24 e a árvore continua vazia.
E, em 2009, vamos achar que o ano está demorando para passar, até chegar o carnaval. E depois ele voa de novo. Se o tempo é uma dimensão, será que alguém mexeu nele? Será que os antigos sessenta segundos agora equivalem à trinta (já que os antigos 60 anos, agora equivalem a 40?).


