Em janeiro de 2007, o diretor de teatro Cesar Almeida levou aos palcos a história de Maria Bueno. A temporada de um mês do espetáculo homônimo atraiu 2 mil pessoas. Almeida tinha vontade de trabalhar com o mito que envolve a personagem desde a década de 1990, quando assistiu um espetáculo de Raul Cruz chamado ‘‘Grato Maria Bueno’’.
  Segundo o diretor, são poucos os documentos que contam a história da ‘‘santa’’. ‘‘Ela não era uma mulher diferente das outras. Mas, a questão do assassinato ter sido de forma brutal repercutiu bastante na época e chocou a sociedade’’.
  Almeida chegou a pensar que o público poderia receber a peça de forma negativa por se tratar de uma comédia, mas aconteceu o contrário. Muitos fiéis de Maria Bueno assistiram ao espetáculo e gostaram. ‘‘Tinha um público devoto que se divertiu muito. Não era um público habitual de teatro. Foi a minha maneira de contar o crime sem ser dramático ao extremo’’, conta o diretor.
  Atualmente, Almeida prepara uma peça que trata de outro assassinato violento em Curitiba. Em 1997, o diretor de teatro Cleon Jacques foi morto com sete facadas dentro da própria casa. Os culpados pelo crime não foram encontrados. Almeida pretende resgatar a história de Jacques, já que eram amigos na época. ‘‘Foi um crime que a polícia não teve pretensões em resolver. Geralmente, assassinatos envolvendo homossexuais são tratados com descaso’’, alerta. O diretor prepara uma leitura dramática da história para setembro ou outubro deste ano. (D.C.)

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