História local tem início no século 16
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quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Museu Municipal Deolindo Mendes PereiraJosé Luiz Arana serrando madeira para construir sua casa: final dos anos 40 Se a emancipação político-administrativa de Campo Mourão está completando 50 anos, a passagem pela região das primeiras expedições é muito mais antiga. Relatos dão conta que os primeiros visitantes andavam pela antiga Província de Guairá ainda no século 16. A região era densamente povoada por índios e a única via de acesso era o Caminho de Peabiru (veja nesta edição) e a navegação através de rios. O primeiro europeu a varar a região foi Aleixo Garcia, seguido de Alvaro Nunez Cabeza de Vaca, em 1541.
Em 1592, o capitão espanhol Ruy Dias Maldarejo fundou uma vila às margens do Rio Ivaí, próximo da foz do Rio Corumbataí. Era a Vila Rica do Espírito Santo (atual município de Fênix). O lugarejo mantinha índios como escravos, enquanto os jesuítas davam catequese. Isso foi até 1631, quando expedições paulistas, que buscavam índios para a mão-de-obra escrava, destruíram a vila. Daí em diante, não há registros de ocupações da região por um século e meio.
Foto do Museu Municipal Deolindo Mendes PereiraEdmundo Mercer, de Tibagi, que veio à região para abrir a Estrada da Boiadeira
No século 18, no entanto, a guerra entre Espanha e Portugal, durante o reinado de Dom José, despertou os portugueses para a necessidade de ocupar as fronteiras estabelecidas pelo Tratado de Madri. Foi então que o governador da província de São Paulo, Dom Luiz Antônio de Souza Botelho e Mourão, designou o capitão-mor Afonso Botelho de Sampaio e Souza para reconhecer a região. A expedição saiu de São Paulo com 75 homens e foi em homenagem ao governador que os campos próximos ao Rio Ivaí foram chamados Campos do Mourão.
ÍndiosO povoamento de Campo Mourão, porém, só começou a ocorrer no final do século 18, com a chegada de expedicionários de Guarapuava, que objetivavam a criação de gado. Guilherme de Paula Xavier, Jorge Walter e Norberto Marcondes, por exemplo, chegaram à região em 1893 juntamente com uma expedição de 120 homens. Uma das primeiras missões dos guarapuavanos foi estabelecer contato com os índios existentes na áreas. Eram duas tribos, sendo uma delas chefiada por Capitão Índio Bandeira, que hoje dá nome à principal avenida da cidade.
Os primeiros moradores a fixar residência, no entanto, apareceram em 1903. As famílias de José Luiz Pereira, Antônio Luiz Pereira, Luiz Pereira da Cruz, Armando Luiz Pereira, Miguel Luiz Pereira, Cezário Manoel dos Santos e Bento Gonçalves Proença tiveram notícias de Campo Mourão em Guarapuava. A primeira tentativa de chegar a Campo Mourão fracassou devido ao transbordamendo do Rio Cantu. Com a abertura das primeiras picadas, pela comissão de engenharia de Curitiba, porém, foi possível chegar ao futuro município.
Foi em 1906 que foi aberto o caminho de Pitanga a Campo Mourão. O nome da estrada mostrava bem suas condições: Picadão. Foi nesse ano que o padre Francisco Vendder visitou a região, que não tinha mais do que 100 moradores. Em 1910, já estava pronta a Estrada Boiadeira, iniciada quatro anos antes, que dava acesso ao Mato Grosso. Ainda nesse ano, Jorge Walter volta em definitivo a Campo Mourão. Junto com ele, traz 654 cabeças de gado, 48 éguas e 15 cargueiros de sal.
200 habitantesO ano de 1910 também marca a chegada de José Teodoro de Oliveira, Luiz Silvério e Américo Pereira Pinto. Em 3 de março de 1906, um decreto transforma Campo Mourão em distrito policial, sob a jurisdição de Palmeirinha, município de Guarapuava. Três anos depois, o geógrafo Edmundo Alberto Mercer iniciou o picadão no Salto Ubá, no Rio Ivaí, e atingiu Campo Mourão, indo até o Rio Paraná pela selva virgem, num percurso de 121 quilômetros. Nessa época, Campo Mourão já tinha uma população de 200 habitantes.
Em 1938, o distrito judiciário de Campo Mourão passou a pertencer a Guarapuava. Mais tarde, com o desmembramento, a posse ficou com Pitanga. Dois anos depois, Campo Mourão já estava em quarto lugar na comarca de Guarapuava, com 11.964 habitantes. O crescimento obrigou, em 6 de outubro de 1940, ao lançamento da delimitação do primeiro quadro urbano. Coube ao agrimensor Eugênio Zaleski projetar as primeiras quadras e a cortar as primeiras ruas da cidade. Daí em diante, os avanços foram rápidos.


