História e ''estórias''
A gênese da UFPR em seu prédio histórico é viva na memória do médico Milton Ferreira do Amaral, 90 anos, um dos dez filhos do fundador e primeiro reitor da instituição, Vitor Ferreira do Amaral. Ele relembra com saudade da primeira aula que assistiu no curso de medicina. O ano era 1932, a matéria histologia e o professor, ninguém menos que Petit Carneiro. ''Alguns setores tinham dificuldades, mas o corpo docente era muito bom'' recorda.
Naquele tempo, anterior à construção do Hospital de Clínicas, as aulas práticas de Medicina ocorriam na Santa Casa, na Maternidade Vitor Ferreira do Amaral e no Hospital Psiquiátrico São Roque.
Não demorou para que o prédio central da Universidade se tornasse pólo cultural da cidade. Realizavam-se ali bailes universitários, sessões lítero-musicais e outros eventos com participação da sociedade. ''Era aberto a todos que tivessem interesse'', conta o ex-aluno.
Milton formou-se em 1938, recebendo das mãos do pai, que na época era diretor da Faculdade de Medicina, o diploma e o anel. Durante o tempo de estudante, ele presidiu o Diretório Acadêmico do curso. ''Era preciso muita diplomacia'', conta, devido à oposição entre o posto que seu pai ocupava e as reivindicações dos estudantes. Depois de formado, Milton voltou à UFPR como professor de ginecologia e obstetrícia. Após 42 anos de docência, aposentou-se em 1987.
Outro que guarda no coração os anos passados na UFPR é Lourival Fagundes de Oliveira, 68, o funcionário mais antigo da instituição, até hoje na ativa. Uma de suas memórias mais terríveis foi um incêndio que atingiu o edifício da Praça Santos Andrade há mais de 30 anos. ''Quando entrei lá estava tudo caindo'', conta. Ele acompanhava uma professora que desejava salvar alguns equipamentos das chamas. ''Não podia demonstrar fraqueza, mas eu estava era morrendo de medo, aquilo parecia um barril de pólvora'', relembra. (A.A.)





