A idéia da produção de um filme para narrar a história da famosa dupla caipira paranaense Belarmino e Gabriela nasceu em 1989. ''Fiz um filme com o Altenir Silva (roteirista) em 89, O Candidato, e lá tem um personagem que liga o rádio e está tocando Mocinhas da Cidade. Ali eu já tinha a vontade de fazer um filme sobre Belarmino e Gabriela'', conta o diretor da produção, Geraldo Pioli. O filme entrou em cartaz este ano, no dia 25 de outubro, no Museu Oscar Niemeyer (MON).
''Então, numa conversa com o Oswaldo Rios (vocalista), do grupo Viola Quebrada, disse a ele que queria muito fazer um filme sobre Belarmino e Gabriela. Entrei em contato com o Ivan (Graciano) e tudo coincidiu com o prêmio estadual de vídeo, com um projeto de 2005, que foi aprovado e ficou em primeiro lugar'', lembra Pioli, que aos 49 anos, já comandou programa de rádio, é cineasta e atual coordenador do curso de cinema da Cinemateca de Curitiba.
Com o primeiro lugar do Prêmio Estadual de Cinema e Vídeo do Governo do Estado do Paraná, Pioli conseguiu levantar a verba para a produção. ''Em maio de 2006 fiz muita pré-entrevista, com família e parceiros da dupla, para saber mais, aprofundar mais na história dos dois. Começamos a receber as parcelas e em outubro começamos a rodar o filme'', recorda.
Por meio da pesquisa realizada nas entrevistas, Pioli e Altenir Silva definiram, então, qual seria o fio condutor do longa. ''O filme tem uma linha narrativa cujo foco é o circo. Tudo começa com um carro de circo no meio da estrada e as coisas vão acontecendo ao redor do circo. Todas as entrevistas foram feitas no camarim do circo'', explica Pioli.
Energia e humor
O filme, em tom de documentário, evita o clichê nostálgico e busca na energia e no humor dos artistas a fonte para seduzir os mais jovens, que pouco conhecem a cultura paranaense. ''A gente queria fazer uma coisa muito deles (Belarmino e Gabriela). Simples e legal, gostoso de ver. Não queria fazer um documentário, até porque só consegui uma imagem da época em movimento, só que a qualidade era ruim, o som não dava pra ouvir direito. Como o elemento de circo é mágico, a gente juntou as coisas deles e fez com que o filme tivesse essa cara gostosa'', define o diretor.
Na estréia, a presença do público foi tão grande que até surpreendeu a equipe de produção. ''Estava entupido de gente, tivemos que fazer mais sessões, tinha gente que ficou de fora e gente sentada na escada. Eu achava que teria muita procura mas não tanta, porque todo mundo fica um pouco apreensivo e não divulgamos muito'', afirma Pioli. Aproximadamente duas mil pessoas curtiram a exibição do filme enquanto esteve em cartaz no MON.
Com o sucesso, Pioli espera que a dupla seja lembrada com mais frequência, até porque o Paraná carece de uma identidade cultural homogênea e mais presente, especialmente na vida dos mais jovens. ''Acho que nós, em geral, temos pouco apego à importância da cultura, de onde viemos. O Paraná sofre muito com isso. Não sou sociólogo ou antropólogo, mas acho que o Paraná ainda tem origens agrícolas, do campo, caipira. Mesmo os que estão em Curitiba também têm essa origem. Belarmino e Gabriela moravam na cidade, no Alto da XV. Mas eles admitiram o que muitos não querem, que são caipiras. Mineiros, gaúchos e o pessoal do interior de São Paulo admitem que são caipiras'', reflete o diretor.
''A gente, principalmente o curitibano, tem muita dificuldade em assumir que é caipira. Muita gente que tinha preconceito, saiu depois de ver o filme dizendo que mudou o que pensava sobre a dupla. E é essa simplicidade de caipira que fez com que Belarmino e Gabriela vivessem da arte deles por mais de 40 anos'', completa Pioli. (C.Y.)

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