História contada através do dinheiro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Dinheiro não é só para gastar. Através das moedas e das cédulas, é possível contar a história de um país ao longo de diferentes períodos. Na Biblioteca Pública do Paraná, uma exposição que permanece no hall de entrada até o próximo sábado apresenta 207 cédulas de dinheiro brasileiras de diversas épocas.
As peças pertencem ao acervo do colecionar e pesquisador Thomas Radtke. Ele explica que, do material exposto, 132 são cópias e reproduções e as restantes são originais. A exposição começa com cédulas de 1833, quando, segundo Radtke, elas começaram a circular no Brasil. Antes, o dinheiro era movimentado de outras formas: moedas ou comprovantes de materiais (ouro, diamantes).
A cédula mais recente da exposição é uma de 50 mil cruzeiros reais, a famosa baiana, pouco antes da implantação do real, diz Radtke. O pesquisador cita que as cédulas surgiram da necessidade que a humanidade tinha de facilitar o transporte de dinheiro.
Devido ao aumento das transações, não havia mais meio físico adequado para transportar moedas. Era necessário ter um mecanismo mais leve e fácil de transportar dinheiro, e com valores maiores, explica. Radtke afirma que na Suécia, a partir de 1630, surgiram as primeiras idéias que levaram às cédulas de dinheiro, no sistema como conhecemos hoje.
Eles tinham moedas de 10, 15 quilos de cobre. Como não tinham prata, tinham que fornecer em compensação o mesmo valor em cobre. Para facilitar as coisas, começaram a fazer notas promissórias e depois bilhetes de negociação, conta o pesquisador.
Por que as cédulas antigas são tão bonitas e tão coloridas? Porque as pessoas, ao invés de receberem prata e ouro, passaram a receber um pedacinho de papel. Mas se esse pedacinho fosse mal feito, as pessoas iam desconfiar. Ele precisava ser elaborado, bonito, ter algo a ver com a história do país. Os países até concorriam para mostrar da melhor forma possível um pedaço da sua história, comenta Radtke.
No Brasil, diferentes desenhos, em cédulas de várias moedas (réis, cruzeiros, cruzados, cruzados novos...), atravessaram muitos períodos históricos, nas várias fases do Império e da República. Radtke explica que nas primeiras décadas da circulação de cédulas no continente a maioria delas dos países da América Latina era produzida na American Bank Note Company, nos Estados Unidos. Por essa razão, alguns motivos se repetiam em cédulas de países diferentes, conta o especialista.


