Para continuar prestando serviços gratuitos de saúde, a Santa Casa de Curitiba lançou um programa para angariar recursos junto à iniciativa privada. De acordo com o diretor-geral da instituição, Carlos Seara Filho, ''a falta de perspectivas de políticas financeiras do SUS (Sistema Único de Saúde) nos colocou neste impasse''. Do total de 94.850 atendimentos anuais, mais de 80% dos pacientes da Santa Casa vêm do SUS, no entanto o repasse do governo federal não cobre todos os custo da instituição.
Desde 1999, a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, uma entidade filantrópica sem fins lucrativos, é mantida pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). ''Foi o momento mais crítico de nossa história, ou mudava ou fechava'', conta Seara Filho. Essa transformação deu novo fôlego financeiro à instituição, mas hoje ela precisa do empresariado para manter seu patrimônio e dar continuidade à sua história.
O embrião ideológico da Irmandade da Santa Casa foi gerado em 1843, por um grupo de idealistas denominado Irmandade Curitibana, ligada à maçonaria da capital. A instituição veio a ser fundada em 1852.
Conta-se que durante a inauguração do Hospital de Caridade (mais conhecido como Santa Casa), em 1880, a Irmandade recebeu o imperador Dom Pedro II, que achou a iniciativa positiva, mas fez uma ressalva curiosa: ''pena que fica muito longe do centro da cidade''. O tempo passou, a cidade cresceu, e hoje o prédio está situado em frente à Praça Rui Barbosa, a maior do centro de Curitiba.
Por muitos anos, a Santa Casa foi o maior hospital da cidade, sediando as aulas práticas dos cursos de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Ciências Médicas da PUC-PR. A característica de hospital-escola transformou a instituição em um berço bem sucedido de especialistas, destacando-se em diversas áreas, especialmente a cardiologia e a ortopedia.
Muitos pacientes de outras regiões do Paraná - e até de outros estados - procuram os serviços da Santa Casa. Valmor da Luz Santos, 37 anos, veio de Tijucas do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), para fazer um exame gastrológico e gostou do atendimento. ''Foi muito bom, bem melhor que lá'', diz. Outro que aprova o trabalho desenvolvido na Santa Casa é o morador de Prudentópolis Reinaldo Barbosa, 52, que desde 2000 faz tratamento neurológico. ''É excelente, nota dez'' aplaude. Segundo ele, mesmo que houvesse este tratamento em sua cidade, ele preferiria o atendimento dos especialistas da instituição.
De acordo com as secretarias estadual e municipal de Saúde, os moradores da RMC respondem por 40% dos atendimentos efetivos (com hora marcada) nos hospitais da capital. Nas emergências, este percentual sobe para 50%.
Segundo Seara Filho, cerca de 20% dos atendidos pela Santa Casa são oriundos das cidades da RMC. ''Na hora de um procedimento mais complexo, estas cidades não estão preparadas'' explica. Outro motivo pela procura seria a falta de leitos e equipamentos nos municípios vizinhos.

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