HISTÓRIA - Uma história de sucesso
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Francisco Soares Dias Sobrinho, 79 anos, é mineiro de Montes Altos; mas desde que pisou no Norte do Paraná, em 1951, tomou gosto pelo lugar onde formaria família e faria a vida, atuando como jornalista. Pela história de Apucarana e da região conta que apaixonou-se desde sempre, cuidando de passá-la para o papel em forma de um livro: Norte do Paraná-Apucarana.
Por meio das páginas de seu livro e de suas palavras, ele nos ajuda a contar a história de Apucarana, que assim como muitas outras cidades da região nasceu do projeto colonizador da Companhia de Terras Norte do Paraná, empresa de capital inglês que adquiriu do governo do Estado 515 mil alqueires de terra numa região ainda de mata nativa, entre os rios Tibagi e Ivaí.
Os planos da Companhia consistiam em lotear as terras de forma a atrair pequenos agricultores, sempre servidos de água no vale e, no espigão, de uma estrada. A cada 15 quilômetros, núcleos urbanos foram formados, com as cidades planejadas para polos a cada 100 quilômetros (Londrina, Maringá, Cianorte).
O detalhe, segundo Dias Sobrinho é que Apucarana não estava nos planos iniciais dos ingleses, como mostra o traçado da rodovia Londrina-Maringá, que passa por Cambé, Rolândia, Arapongas, Mandaguari, Marialva e Sarandi; desviando do núcleo urbano de Apucarana, passando pelo distrito de Caixa de São Pedro. Um certo Joaquim Vicente de Castro era dono de uma fazenda por aqui, cercada pelas terras da Companhia. Os ingleses não tinham a intenção de valorizar terras alheias, por isso desviaram a estrada, ressalta. Contudo, os lotes foram vendidos e a formação de mais uma cidade foi inevitável, por insistência dos pioneiros. Tanto que a Companhia destacou o engenheiro russo Alexandre Razgulaeff, o mesmo que projetou Londrina, para desenhar a cidade, completa.
Benevides Mesquita, funcionário da Companhia, chegou às terras apucaranenses em 1934. Em 1935-36 as primeiras famílias de agricultores chegaram às terras que hoje compreendem o município de Apucarana. A Casa Branca, uma venda de secos e molhados, de Adão Kaniewski, foi o primeiro estabelecimento comercial, conforme o livro Norte do Paraná-Apucarana.
O crescimento foi rápido. Tanto que, em uma década, Apucarana já se tornara cidade, desmembrando-se de Londrina. O decreto-lei do interventor Manoel Ribas foi comunicado ao povo de Apucarana por meio de um telegrama, que chegou em 30 de dezembro de 1943. O comunicado avisava sobre a criação da comarca e do município de Apucarana. A instalação do município e a posse do primeiro prefeito, o tenente da Polícia Militar Luiz José dos Santos, ocorreram em 28 de janeiro de 1944, há exatos 67 anos.


