Não resta quase nada da Cidade Luminosa ou ''Aluminosa'', como dizia seu fundador, o agricultor José Francisco de Freitas Miranda, morto em 1994, aos 72 anos. O que ele chamava de cidade resumia-se a estátuas, sinos, portais e pequenas construções erguidas com cimento, areia e ferro na Água da Jupira, distrito de Colorado (Noroeste do Paraná). Na década de 70, romarias de várias partes do Brasil transformaram o local em roteiro de peregrinação. O objetivo da construção era abrigar pessoas no fim do mundo que, segundo ele, iria ocorrer em 28 de dezembro de 1999.
Com o tempo, as visitas à Cidade Luminosa diminuíram, e o mato tomou conta do local. Revoltado, o filho mais velho do agricultor, José Valdomiro de Freitas Miranda, 49, com uma picareta, destruiu as construções. Restaram apenas algumas estátuas perdidas pela área, que abrange cerca de um alqueire na entrada da Água da Jupira. Ele justifica a ação, relacionando-a ao descaso das pessoas com a obra do pai: ''Vem um monte de gente aqui tirar fotos e fazer perguntas, mas não ganho nada com isso. Até que resolvi destruir tudo''.
Valdomiro culpa a falta de interesse das sucessivas administrações municipais da cidade, que se comprometeram a criar infra-estrutura para que o local pudesse receber turistas, mas nada foi feito. Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura de Colorado, a Cidade Luminosa já estava bastante destruída quando a atual gestão assumiu, o que tornou inviável a recuperação da área.

Vontade alheia - A construção da cidade começou na década de 50, a partir de visões que Miranda dizia ter de madrugada. O agricultor acordava, punha um pano branco na cabeça e contava que via algo como uma tela de cinema, onde era exibido o que deveria fazer. De manhã, ele anotava tudo em um caderninho e, depois, transcrevia nos portais que incrementavam o local. De acordo com o filho, o pai tinha ordem de tocar a obra em frente.
Os atritos entre o místico e a família eram constantes, em função da dedicação e do dinheiro gasto na obra. Valdomiro conta que o pai abandonou a lavoura e, na época, gastou o equivalente a 15 alqueires de terra na compra de cimento, areia e ferro para erguer as esculturas. A geada de 1975, que destruiu os cafezais do Paraná, deixou o agricultor sem dinheiro e o impediu de levar avante a construção.
Com a saúde abalada, Miranda foi internado várias vezes em hospitais psiquiátricos de São Paulo e Campinas. De tanto utilizar um espelho ao ar livre, para esculpir a própria imagem, o reflexo do sol deixou-o cego. Daí em diante, ele ficou acamado e logo morreu, mas, até hoje, suas estátuas chamam atenção pela perfeição do rosto e dos olhos.

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