As quatro estrofes escritas pelo ex-articulista da FOLHA, Francisco Pereira Almeida Junior, musicadas pelo maestro italiano Andrea Nuzzi, já são uma canção madura, avalizada por gerações de pés-vermelhos de alma e de coração. A obra que oficialmente homenageia Londrina, composição de 1959, "dá pouso e guarida, a todos que a buscam, materna e gentil". A força das palavras e dos acordes avança na história, transpõe obstáculos, forja orgulho e autoestima. "Gosto do trecho que diz ‘que alta, e que grande/ o encanto oferece/ de sempre menina!’", conta – na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) - o adolescente Anderson Bruno Bigetti, de 17 anos, estudante do terceiro ano do ensino médio do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles).
Bigetti é um dos 21 integrantes do Coral Vozes do Iles, composto por estudantes do ensino fundamental 2 e do ensino médio. O Iles faz parte do projeto Nossos Hinos, idealizado pela Câmara Municipal para difundir, além do hino municipal, o nacional, o estadual, o da Independência, o da Proclamação da República e o da Bandeira.
O projeto começou em 2006 com a distribuição de folders com a letra dos hinos. "Percebíamos que a cada solenidade as pessoas tinham dificuldade em acompanhar os hinos. Entendemos que as letras eram pouco conhecidas e decidimos confeccionar folhetos para o acompanhamento das execuções", afirma Ana Paula Rodrigues Pinto, assessora de comunicação do Legislativo e coordenadora do projeto.
Desde então, foram milhares de cópias distribuídas nas sessões e em solenidades oficiais. A iniciativa ganhou corpo, amealhou apoiadores, como o Rotary International Distrito 4710, e outros nove parceiros. Hoje a difusão também inclui os atendimentos às escolas que solicitam o material, inclusive as particulares. As emissões de carbono para a impressão dos folhetos foram neutralizadas.
Em 2010, a experiência foi registrada em CD e DVD, com direção artística e regência do maestro José Mário Tomal, especialista em corais. Na ocasião, ele comandou a gravação do grupo vocal da Câmara e do Coro Infanto-Juvenil da Viação Garcia. No DVD, o coral do Iles interpreta os hinos municipal, estadual e nacional.
Os estudantes do Iles são ensaiados semanalmente pela professora de canto Jane Bastos Alves, duas décadas à frente do coral. As sessões duram uma hora e meia. A atividade é realizada no contraturno. "É um trabalho muito gratificante porque exige ao mesmo tempo um estudo das letras, importante para a formação cívica, e o estudo e aperfeiçoamento da linguagem dos sinais", afirma a maestrina.
O coral se apresenta com túnicas azuis e luvas brancas, normalmente num fundo escuro, tudo para facilitar o entendimento dos sinais pela plateia. "É algo muito importante na minha vida. A gente se sente cidadão. É uma maneira de nos socializarmos", afirma Wellington Marques Moreira, de 17 anos.
Rosalina Lopes Franciscão, presidente há 14 anos e fundadora do instituto, que completou 54 anos, fica comovida a cada apresentação. "É um grande estímulo para eles. É importante no aprendizado e traz alegria a todos. Tanto para eles quanto para a plateia", avalia.
Bigetti diz que as apresentações são verdadeiras injeções de autoestima. "A gente mostra que sabe fazer. Mostramos que estamos no mesmo patamar que as outras pessoas. Vencemos o preconceito das pessoas que estão nos vendo e o que existe dentro de nós. Não somos inferiores", comemora.

O coral do Iles interpreta os hinos municipal, estadual e nacional na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras)
Imagem ilustrativa da imagem Hino para todos



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