Hidrelétrica exibe última obra de Poty
Arquivo FolhaO mestre das artes plásticas paranaenses morreu sem ver sua obra concluída, mas deixou todas as orientações para o estudante Adoaldo Lenzi Júnior, que ele mesmo considerava seu sucessorA história da construção de Itaipu, o trabalho dos barrageiros e a fauna e flora da região foram imortalizados no Painel do Barrageiro, a última obra do artista plástico paranaense Poty Lazzarotto. Instalado próximo ao Mirante Central da margem brasileira da usina, o painel foi inaugurado em novembro do ano passado. Poty morreu antes, em maio, aos 74 anos, sem ver sua obra concluída. Deixou a delicada tarefa para o estudante de educação artística Adoaldo Lenzi Junior, de 21 anos, considerado pelo próprio mestre seu sucessor.
A obra, com aproximadamente 3 metros de altura por 25 metros de comprimento, tem dupla face, sendo uma de concreto em alto-relevo e outra em cerâmica. A extrema força de expressão das cores de Poty – como o amarelo-ouro, tom utilizado nos uniformes dos barrageiros – retrata na cerâmica o trabalho dos homens, o pesado maquinário, o lago, uma revoada de pássaros e até um homem em sua bicicleta – meio utilizado internamente pelos funcionários para vencer as grandes distâncias dentro da estrutura. Na cerâmica, Poty conseguiu a façanha de resumir no painel a grandeza da evolução da obra de Itaipu.
Na pálida face de concreto, o alto-relevo do trabalho dá vida e movimento ao universo ecológico. As Sete-Quedas submersas, o tamanduá-bandeira, o horizonte e novamente os peixes e pássaros compõem esse quadro. Na construção do alto-relevo foram utilizadas fôrmas de isopor e gesso, que posteriormente receberam o concreto. Tanto as fôrmas, como a reprodução das matrizes dos desenhos de Poty para a cerâmica, foram executadas conforme a prévia orientação do mestre.
O jovem artista, que finalizou a obra, também contou com a valiosa experiência do pai, Adoaldo Lenzi, que trabalhava na equipe de Poty desde os anos 70. Criado dentro do ateliê, o ainda menino Lenzi Júnior ingressou cedo na equipe. Influenciado pela precoce experiência, hoje cursa artes plásticas na Faculdade de Artes do Paraná e, ao lado do pai, chegou a trabalhar 10 horas na ampliação dos desenhos. Concluída, a obra leva a assinatura do mestre e do aprendiz. (MTB)

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