Investimento de R$ 120 milhões, 300 mil metros quadrados de área livre e 32 mil metros quadrados de construção, 550 empregos diretos na primeira fase, produção inicial de 4 milhões de caixas de medicamentos por mês, largos espaços, moderníssimas instalações e ainda figura entre as 10 maiores indústrias do gênero no Brasil. Este é o perfil nada modesto da Hexal, fábrica alemã de remédios genéricos e não-genéricos que será inaugurada no dia 15 de setembro em Cambé.
Instalada há cinco anos em São Paulo, a indústria decidiu expandir e, depois de pesquisar vários lugares pelo País, optou pelo Norte do Paraná, mais especificamente a área à margem da rodovia entre Cambé e Warta, a 12 quilômetros do centro de Londrina. A matriz da empresa no Brasil também será transferida para a unidade prestes a ser inaugurada. Depois da matriz de Berlim, na Alemanha, a de Cambé será a segunda maior do grupo, tanto em dimensão como em capacidade de produção. Há unidades também na China, Indonésia, Turquia, Dinamarca, Polônia e México.
Por que o investimento no Brasil e a preferência pelo Norte do Paraná? De mudança para Londrina, Reinhard Nordmann, diretor-presidente da Hexal do Brasil diz que a empresa já estava na América Latina, atuando em joint-venture com a alemã Boehringer Ingelheim. Depois resolveu dissociar-se, adquirindo em 1999 um pequeno laboratório em São Paulo. Ainda não se falava em medicamentos genéricos no Brasil e, passado um ano daquela aquisição, os diretores decidiram instalar uma grande fábrica em território brasileiro.
Nordmanm, que já representava a Hexal na joint-venture, foi então designado para percorrer o Brasil e encontrar um local apropriado para a fábrica. Ele andou pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Um consultor de empresas da capital paulista indicou-lhe o Norte do Paraná. Nordmann veio conferir e, segundo declara, encantou-se com o que viu e começou a procurar áreas adequadas em Londrina, Ibiporã, Cambé, Rolândia, Arapongas e Apucarana.
''Procurei as Prefeituras, mas como era época de campanha eleitoral, com os prefeitos em final de mandato, parece que eles não estavam muito interessados'', diz Nordmann, com seu jeito descontraído e eufórico. Depois de tanto andar pesquisando o Brasil e fazer uma infinidade de viagens entre São Paulo e o Norte do Paraná, de avião e de ônibus, foi na rodoviária londrinense que Nordmann e o prefeito José do Carmo Garcia, de Cambé, se encontrararam. A área já havia sido escolhida e se mostrava ideal para o projeto, já que possibilitaria expansões.
Nordmann narra a epopéia da busca da cidade e da área com entusiasmo, pois sabia que, onde a fábrica se instalasse, ele também se instalaria. Solteiro, 44 anos, médico convertido em dirigente empresarial e falando bom português, ele muniu-se de uma trena e foi medir o terreno, que é rodeado de plantações de trigo no inverno e de soja no verão.
Uma linda paisagem, que encanta não apenas esse alemão em terra estrangeira mas a própria população regional, pois a planície é parte do quinhão mais fértil da região e tem sempre uma vegetação exuberante, verde em uma época e a seguir passando para o amarelo na colheita as cores do Brasil. ''Londrina me impressionou, inclusive pela pouca idade e o crescimento tão rápido'', diz, acostumado com as centenárias cidades européias.

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