de Londrina
‘‘Conseguimos passar pela tempestade’’, define Oswaldo Pitol, presidente da Herbitécnica Indústria de Defensivos S/A, ao falar dos primeiros anos de Plano Real. O empresário, que se julga um dos sobreviventes do Plano, viu seu lucro líquido despencar de US$ 9,7 milhões, no final de 94, para US$ 1 milhão, no ano seguinte. No final do ano passado o balanço apontou uma melhora, registrando lucro líquido de US$ 3,4 milhões. A previsão de Pitol para 97 é ainda mais otimista: US$ 6,5 milhões.
Embora afirme que o Plano Real tenha sido implantado em boa hora, ‘‘num período onde o mundo estava sendo repensado’’, o presidente da Herbitécnica aponta o aumento no custo de mão-de-obra e de serviços em geral como grandes problemas ocasionados pelo Real. ‘‘Houve um salto nestes custos, enquanto os preços de venda dos produtos agroquímicos têm diminuído cerca de 5% ao ano. Nestes três anos, os preços dos nossos produtos caíram cerca de 15% por causa da grande competição no setor. Como alternativa, tivemos que pressionar os fornecedores, renegociando os preços das matérias-primas. Conseguimos reduções de 2% a 10%’’.
Para conseguir se manter rentável, a Herbitécnica recorreu à racionalização das despesas e maximização de resultados. ‘‘O resultado é que a empresa tornou-se mais competitiva e eficiente’’, comemora Pitol. ‘‘A grande vantagem do Plano é que, sem inflação, temos condições de planejar a empresa para daqui a cinco anos. Antes, não conseguíamos fazer projeções para um ano’’.
Até o ano de 2002, o empresário espera estar exportando 25% de sua produção para países da América Latina - o maior mercado em crescimento no setor agroquímico no mundo, segundo ele. Atualmente, 7% da produção da Herbitécnica vai para o mercado externo, sendo que, destes, 5% é exportado para os outros países do Mercosul. A empresa deve fechar este ano com um volume de produção de 21 mil toneladas de herbicidas, inseticidas e fungicidas.
Para aumentar as exportações brasileiras, Pitol diz que o governo deveria diminuir o Custo Brasil. ‘‘É difícil ser competitivo quando se tem de arcar com mais de 50 tipos de impostos. Não dá para concorrer com Tai Wan, Coréia e China. Perdemos negócios até na Argentina para empresas destes países’’, reclama Pitol, que também quer ações mais diretas como privatização dos portos, construção de ferrovias e melhoria de rodovias.
Num parque industrial de 280 mil metros quadrados, a empresa londrinense tem cinco unidades industriais. A sexta fábrica será inaugurada em agosto deste ano. A sétima começa a ser construída em 98. ‘‘E nos cinco anos seguintes, pretendemos construir uma unidade por ano’’, diz Pitol, que prevê um faturamento de US$ 100 milhões neste ano. Em 1994, o faturamento da empresa foi de US$ 52,3 milhões. O número de funcionários passou de 282 para 350 nos últimos três anos. No mesmo período, a Herbitécnica teve um ganho de produtividade de 89%.RAIO X
Setor: Agroindústria
Faturamento
- em 96: Não fornecido.
- Previsão para 97: US$ 100 milhões
Lucro líquido: US$ 6,5 milhões
Funcionários: 350

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