Considerado um dos empresários de maior sucesso do País, Alberto Saraiva, fundador do Habib’s, coleciona histórias de superação, fé e determinação. Dentre as lembranças mais marcantes, o empresário destaca os períodos da infância e juventude vividos em Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro do Paraná. Nascido em Portugal, Saraiva veio para o Brasil ainda pequeno na companhia dos pais, que buscavam melhores oportunidades de trabalho. Após uma rápida passagem por São Paulo, a família migrou para o interior. "Cheguei em Santo Antônio entre 1 e 2 anos de idade e fiquei até os 17. Para mim, Santo Antônio da Platina é uma das melhores cidades do mundo. Os melhores lugares são aqueles onde a gente tem amigos, boas lembranças... E essa é uma cidade onde eu fui muito feliz".
Bastante religioso, Saraiva conta ter desenvolvido sua fé durante os anos em que viveu no Norte Pioneiro. "Foi lá que desenvolvi uma coisa muito importante na minha vida, uma fé muito forte. Em Santo Antônio eu morava ao lado da igreja e me lembro que às 5h30 da manhã já estava na porta esperando a igreja abrir para poder ser coroinha. Também puxava o terço na igreja e, em uma época, até quis ser padre", relembra.
Foi no interior do Paraná que o empresário aprendeu a ser comerciante, sempre ao lado do pai, sua grande inspiração, que viajava por várias cidades do Estado para vender doces. "Meu pai sempre participava de forma muito ativa na minha vida. Ele era um comerciante nato e sempre me levava para essas situações e me incentivava muito. Uma outra característica que aprendi com ele foi confiar em mim mesmo e isso foi uma coisa que mudou a minha vida, minha história. Eu sempre fui uma pessoa que ainda que tivesse em uma situação difícil, ainda que tivesse pouco, sempre acreditava no muito", destaca.
Incentivado pelo pai, Saraiva deixou o Paraná para tentar ser médico em São Paulo. Foram três anos de cursinho até ingressar na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa. Logo no primeiro ano do curso, porém, uma tragédia mudou a vida do empresário. "Quando resolvi ficar em São Paulo meu pai e minha família também se mudaram. Ele comprou uma padaria e 19 dias depois houve um assalto e ele acabou sendo assassinado. Como eu era o filho mais velho, tive que trancar minha matrícula."
Mesmo abalado, Saraiva tocou a padaria da família. Mas foi a partir de um encontro inusitado que surgiu a inspiração para uma filosofia de trabalho que dura até hoje. "Essa padaria não tinha clientes, era muito ruim. Eu ia desistir dela quando aconteceu um episódio, talvez movido pela minha fé. Em uma noite, às 4h da madrugada, peguei um táxi para ir para a padaria e contei minha história para o taxista. No fim ele me disse as mesmas palavras que meu pai repetia pra mim na época do vestibular: ‘não desiste filho, você vai conseguir, precisa caminhar...’ Eu quase caí de costas. Encarei aquilo como uma mensagem de Deus e resolvi enfrentar a padaria", relata.
A partir dali, o empresário decidiu que ia vender produtos a um preço baixíssimo. "Não é vender barato, mas muito barato", explica. "Naquela época o preço do pãozinho era tabelado. As pessoas viviam reclamando que aquele preço era muito baixo e não dava lucro, mas coloquei o preço 30% mais barato e começaram a vir clientes de todos os lados." Após o sucesso do negócio, Saraiva voltou para a faculdade de medicina e, simultaneamente, começou a criar e vender negócios. "Eu tive a casa do nhoque, casa do pastel, casa da pizza rodízio... Tinha um corretor que me acompanhava e eu mal tinha acabado de montar o negócio e ele já tinha pessoas para comprar", lembra.
Mesmo formado, Saraiva continuou no ramo dos negócios e em 1988 abriu o Habib’s, após conhecer um dos cozinheiros mais populares da região da 25 de março. "Em determinado momento conheci um senhor que veio me pedir emprego. Perguntei o que ele sabia fazer e ele me disse: homus, tabule, quibe cru, coalhada, esfirra... Eu já estava de olho nesse tipo de comércio e aprendi a fazer essas coisas", conta.
De acordo com Saraiva, as esfirras a preços baixos foram sucesso imediato. "Por 42 dias consecutivos eu tive fila na porta". Hoje, aos 61 anos, o empresário continua à frente do negócio que conta com nove empresas, mais de 400 lojas, 200 milhões de clientes por ano e quase 22 mil funcionários diretos. "Sempre com a filosofia que eu aprendi na padaria", valoriza. Casado há 25 anos e pai de cinco filhos, Saraiva se prepara para lançar seu sétimo livro, até o final do ano, sobre os 25 verbos que marcaram sua vida. "Desenvolvo cada verbo na forma emocional e também, em uma segunda parte, de forma empresarial e comercial."

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