Heavy metal cristão
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Andréa Lombardo<br>Equipe da FOLHA 
Curitiba - Quando se pensa em uma banda evangélica, difícil imaginar que seu estilo musical seja o heavy metal (metal pesado). Mas, a cada dia, surgem grupos, na Capital, dispostos a mostrar que é possível conciliar mensagens cristãs com o som pesado e distorcido das guitarras. O mais curioso é que essas bandas de metal e outros estilos como hard core e rock têm conseguido atrair uma legião de fãs não, necessariamente, adeptos à religião.
Os cinco integrantes da banda Miracle a maioria filhos de pastores descobriram a fórmula para evangelizar em locais em que a igreja, de forma tradicional, não teria acesso, como bares e casas noturnas.
Para garantir esse espaço, além do estilo musical o metal , a banda resolveu adotar visual mais próximo ao dos metaleiros brincos, tatuagens, cabelos compridos e roupa escura para se infiltrar entre eles.
O baterista da Miracle, Mike Rodrigo Vieira, 25 anos, diz que a escolha pelo rock pesado se deu pensando no público que se pretendia atingir, já que os jovens metaleiros são mal vistos pela vertente mais conservadora da igreja. Jesus nunca definiu um estilo musical ou de se vestir. Jesus nunca se preocupou com estereótipos, destacou o músico e jornalista.
A escolha pelo metal é, no mínimo, curiosa, considerando que bandas famosas, precursoras do estilo, traziam temas sombrios, alguns relacionados ao demônio, nas letras de suas músicas. Vieira, no entanto, rebate essa associação, defendendo que a origem do rock está ligada ao blues e este era comandado por cantores evangélicos.
O Elvis mesmo gravou oito álbuns evangélicos. Então, desde a sua raiz, o rock trazia mensagens cristãs, reforçou. Foi nas décadas de 70 e 80 que começaram a surgir bandas como Black Sabbath e Iron Maden, que queriam falar o oposto, acrescentou.
Vieira conta que o rock sempre foi o estilo musical preferido dos integrantes da banda formada em 2000. Como a igreja não dava abertura para o grupo mostrar seu trabalho, eles decidiram ir para fora.
Participaram de um festival de bandas gospel, conquistando o primeiro lugar e, a partir daí, começaram a surgir convites para outros festivais, onde participavam também bandas seculares terminologia usada pelos evangélicos para definir bandas não cristãs.
E era, justamente, o que os Miracle queriam: a gente tinha necessidade de falar de Deus para quem não era da igreja, disse Vieira.
O problema é que, nem sempre, o grupo era bem aceito. Quando convidavam a gente para tocar, não sabiam que éramos evangélicos, lembrou Vieira, admitindo que alguns metaleiros mais radicais não aprovam a idéia de se falar de Jesus em um show de rock.
Depois de algumas situações de saia-justa, a banda decidiu se proteger. Agora a gente anda com segurança nos shows, revelou o baterista.
A banda aprendeu, também, a sentir o clima do lugar em que está se apresentando para saber se terão abertura para passar suas mensagens cristãs. Em casas noturnas e bares, a estratégia é se misturar ao público, fazendo um corpo-a-corpo depois do show.


