HC já fez 129 transplantes de fígado
O transplante de fígado começou a ser feito no Paraná em setembro de 1991. Os primeiros testes foram realizados em cães e em partes de cadáveres humanos. Desde então, o Hospital de Clínicas de Curitiba já realizou 129 transplantes e é considerado o segundo maior centro de cirurgia hepática do País. Realizamos transplantes em pacientes de diversos estados brasileiros e até do Paraguai, diz o cirurgião Júlio Coelho, chefe do serviço de transplante hepático do HC.
O hospital realiza três transplantes de fígado por mês e tem capacidade para fazer seis. De acordo com Coelho, o maior problema do hospital é a falta de doadores. Acho que um conjunto de fatores tem impedido a doação de órgãos, afirma. Os dois maiores motivos, segundo ele, são: a falta de estrutura e agilidade do sistema de captação de órgãos e a recusa de alguns familiares em doar os órgãos dos pacientes com morte encefálica.
A falta de órgãos tem levado à morte um quarto dos pacientes que entram na fila de espera. Atualmente, mais de 50 pessoas estão à espera de um transplante de fígado. A maioria delas precisa fazer o transplante num prazo de seis meses a um ano. Nos casos de hepatite fulminante, a chance de vida é muito pequena, porque o paciente precisa ser transplantado num prazo de dois a sete dias.
Coelho diz que o transplante de fígado é indicado quando o órgão perde a capacidade de funcionamento adequado. De acordo com ele, após o sistema nervoso central, o fígado é o órgão do corpo com maiores funções no organismo. O funcionamento inadequado leva à desnutrição, pré-disposição a infecções, hemorragia e coma, diz. Após o transplante, a recuperação do paciente é rápida, em média de três a seis meses.
O vendedor Vito Guglielmi Neto, de 36 anos, fez um transplante no início deste ano. Ele estava com cirrose provocada pelo vírus da hepatite C. Guglielmi Neto disse que começou a ter os sintomas em janeiro de 1997 e começou a ser tratado em Paranavaí, cidade a 500 quilômetros de Curitiba. Em janeiro de 1998 ele foi encaminhado ao Hospital de Clínicas e colocou uma válvula no fígado para se preparar para o transplante. Minha recuperação foi rápida, fiz o transplante e hoje me sinto gente de novo, afirma. (L.P)





