HAITI: SAUDADE - Paranaenses na missão de paz
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sábado, 19 de abril de 2008
Sérgio Ranalli<br>Enviado especial ao Haiti 
O Paraná está bem representado no Haiti. O embaixador brasileiro no país caribenho é o curitibano Igor Kipman, que nasceu e se graduou em agronomia na Capital paranaense. Ele é considerado um dos maiores conhecedores da história, da política e da economia haitiana.
Há uma semana, Kipman foi o responsável pela doação de 14 toneladas de alimento ao povo haitiano. Ele solicitou a ajuda junto ao governo brasileiro. A agilidade do embaixador fez o Brasil ser o primeiro país a enviar ajuda humanitária.
Na memória de cada brasileiro ainda devem estar guardadas as imagens do ''jogo da paz'', quando a seleção brasileira foi ao Haiti. Kipman participou da organização da histórica partida.
Curitiba de coração
''Tenho recordações maravilhosas daquela cidade lindíssima. É um dos melhores lugares do mundo. Quando voltar ao Brasil, Curitiba é uma das minhas cidades candidatas a morar'', entusiasma-se o ''Force Comander'', general Santos Cruz, comandante das forças de paz da ONU no Haiti.
Ele fala com a propriedade de quem já viveu em diversas capitais, do Brasil e do mundo. Durante dois anos, Cruz e a família residiram em Curitiba. Fui diretor do Círculo Militar, no centro da cidade.
Sonho realizado
Londrinense apaixonado pelo Zerão e pelo lago Igapó, o ajudante de ordem do ''Force Comander'', major Richard Felipov, recorda da época em que morou em Londrina.
Ele estudou no Colégio Londrinense e no Hugo Simas, saiu da terra natal para ingressar na carreira militar. Serviu o exército na Amazônia, no Pará, em São Paulo, no Acre e em Pernambuco. Mora atualmente no Recife com a esposa e filhos, porém a mãe e a irmã continuam em Londrina.
Sobre estar no Haiti, fala orgulhoso ''todos respeitam muito o Brasil por aqui. Participar de uma missão de paz sempre foi um sonho, ainda mais tendo o Brasil como protagonista. Para mim foi um prêmio ter vindo para cá''.
No lugar certo, na hora certa
Um curitibano comanda 23 homens e é responsável por todos os veículos e armas do batalhão brasileiro no Haiti (Brabat). O capitão Marcelo Waus, oficial de material bélico, trabalha incansavelmente para manter a frota de 110 viaturas funcionando.
''O Urutu (blindado) não pára, é uma viatura que intimida, passa por obstáculos. A gente sabe que precisa deixá-los sempre disponíveis''. Com a intenção de seguir a carreira militar, Waus saiu cedo de Curitiba, mora no Rio de Janeiro, deixou os pais, irmã e amigos na Capital paranaense, mas garante que valeu a pena.
''Participar de uma missão de paz da Onu é o sonho da minha vida. No Rio aconteceu de eu estar servindo no lugar certo, na hora certa. Agradeço a Deus, sinto-me realizado profissional e pessoalmente. Se tiver outra missão eu voltaria, é muito gratificante.''
Santa internet
''Papai, Haiti''. Duas palavras são suficientes para emocionar o soldado Júlio César Ramos. Todas as noites, Júlia ®MDRV¯®MDNM¯Rafaela, de dois anos, pronuncia as mágicas sílabas pela internet para o pai que está no distante país caribenho.
Como todos que estão na missão de paz, a saudade é o preço para a realização de um sonho, mas Ramos não reclama, visto que sempre contou com o apoio da família.
Nascido em Inácio Martins (54 km ao sul de Guarapuava), Ramos saiu do Paraná por questões profissionais. Hoje ele mora com a esposa e a filha no Mato Grosso do Sul.
Mas seus planos já estão traçados: quando voltar do Haiti pretende mudar novamente, dessa vez retornando ao Paraná. Por enquanto, Ponta Grossa é o destino preferido.


