HAITI - Um coronel veterano e os sonhos de soldado
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sábado, 06 de março de 2010
Sérgio Ranalli<BR>Editor de Fotografia 
Porto Príncipe - Um bando fortemente armado corre entre os casebres construídos com folha de zinco. Trocam tiros com as tropas de paz da ONU. A população enfrenta a saraivada de balas e, aos gritos, informa aos soldados para onde os bandidos estão correndo. Os militares se desdobram entre a captura dos grupos hostis e a distribuição de alimentos para os habitantes da maior favela de Porto Príncipe, Cité Soleil, com mais de 250 mil pessoas.
A situação descrita acima era corriqueira em 2004, quando o coronel curitibano Luciano Puchalski comandou o segundo contingente brasileiro que atuou no Haiti. Era uma época em que bandidos, sequestradores e gangues espalhavam terror pelo território haitiano e a missão de paz estava apenas começando. ''Esse misto de combate com apoio da população é a cena mais marcante que levo do Haiti.''.
Agora o coronel paranaense é novamente enviado ao país caribenho, vai comandar o novo batalhão brasileiro (Brabatt II), criado após o terremoto de 12 de janeiro. ''Eu creio que o maior desafio seja se adaptar à nova situação do país. Naquela época a situação era muito perigosa, tínhamos as condições de segurança muito frágeis. Hoje as condições de segurança são bastante favoráveis, só que o pais está numa grande dificuldade, fruto do terremoto. Há dificuldade de transitar no Centro, em Bel Air. A população saiu das casas e está morando nas ruas, o que dificulta o patrulhamento e as condições de segurança pública. Será uma desafio enfrentar um lugar favorável para a degradação da segurança'', revela Puchalski.
O jovem soldado londrinense Luis Paulo Bravo, 21, se voluntariou para ir ao Haiti logo após o terremoto. ''É um oportunidade única que eu terei para ajudar o povo haitiano e representar meu país no exterior'', se orgulha Bravo. Entrou no Exército por meio do alistamento obrigatório, serviu no Rio de Janeiro, onde mora com mãe, acabou ficando um pouco mais e se tornou um infante policial. No Haiti tem a função de fazer patrulhas e escoltas. Seu batalhão ficará responsável pelo bairro de Bel Air, Região Central de Porto Príncipe e duramente atingida pelo terremoto.
Com apenas duas semanas, já vivenciou dois pequenos tremores. No primeiro estava dormindo, no segundo sentiu o chão tremer um pouco, mas não teve medo. Entretanto, as cenas de miséria e destruição marcaram o jovem. ''É uma experiência nova em minha vida, me chocou a destruição, muita casa no chão, gente pedindo água e comida'', desabafa Bravo.


