Nada pode ser mais sincero do que o olhar de uma criança. São janelas abertas que jogam o espectador num mundo de sonhos. Nem mesmo a brutal realidade vivida por esses pequenos apaga o brilho ou a esperança. Em toda viagem, deixamos pelos caminhos um pouco de nós e levamos um bocado do lugar desconhecido. O que trago do Haiti não pesa, não ocupa as mãos, não toma lugar nas malas, nem ao menos preocupa os agentes da Receita que fiscalizam a chegada dos vôos internacionais. Guardo na minha mente o olhar de cada criança que vi pelas ruas de Porto Príncipe. Aqueles olhos grandes, brilhantes, esperançosos e sofridos ficaram cravados em minha memória.

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