Cesar AugustoSem descansoDr. Jonas: tempo dividido entre o consultório, plantões e visitas a pacientesApesar de antigo e muitas vezes repetido, o ditado ‘‘filho de peixe, peixinho 钒 se encaixa perfeitamente a Jonas de Faria Castro Filho, 80 anos e quase 60 de profissão. O pai e o avô eram médicos e ele diz que não poderia ter seguido outra atividade. ‘‘Eu já nasci médico’’, resume.
Natural de Carangola (MG) o cirurgião-geral Jonas Castro estudou na então Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Na época estava com 15 anos. Ele se formou em 1940, mas considera que já estava exercendo a profissão um ano antes, quando participou da primeira cirurgia na Santa Casa do Rio de Janeiro.
De volta a Londrina em 1942, ele lembra que na época os médicos atendiam principalmente casos de doenças infecciosas, como tifo e malária, e os acidentes nas matas e estradas. Jonas Castro participou de alguns fatos importantes, como a criação da Faculdade de Mecicina e as semanas regionais de Medicina da Associação Médica de Londrina (AML). Na década de 50 foi também responsável pela fundação, no Paraná, da Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição.
Em 1953 o médico fundou a Casa de Saúde São Leopoldo, que se espelhava no Centro Modelo de Cirurgia do RJ, o mais moderno do País. Ele se lembra com orgulho que no ano seguinte inaugurou, na Casa de Saúde, a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Norte do Estado.
Na Casa de Saúde, além de tratar dos pacientes, Jonas Castro desenvolveu um setor especializado em estudos e pesquisas. Muitos trabalhos tiveram repercussão nacional, como uma pesquisa sobre a doença de Chagas.
Preocupado em estar sempre evoluindo, ele lembra que semanalmente era realizadas reuniões para estudos dos casos clínicos. ‘‘Vinha gente de todo o Norte do Paraná e sempre trazíamos conferencistas de fora. Isso melhorava muito o padrão médico’’, ressalta.
Com uma disposição de dar inveja a muita gente, hoje Jonas Castro divide seu tempo entre o consultório, os plantões na Santa Casa e visitas a pacientes no Hospital Evangélico. É no consultório onde pode se ter uma idéia de quantas pessoas ele atendeu ao longo das décadas. ‘‘Eu tenho hoje registradas fichas de 35.500 pacientes’’, informa.
Jonas Castro revela que em todos estes anos de atividade nunca tirou férias. ‘‘Aproveito as minhas idas a encontros e conferências para viajar’’, observa. Problemas de saúde, só enfrentou na década de 80, quando foi operado do coração e recebeu pontes de safena. ‘‘Mas continuo trabalhando com a mesma disposição, com a mesma resistência física’’, garante.
Além da medicina, outro grande orgulho deste cirurgião geral é a Chácara Carangola, onde mora com o o filho Jonas Neto. Localizada na zona leste, a poucos quilômetros do centro de Londrina, a chácara guarda um pedaço da mata nativa. ‘‘Quem é que tem este privilégio de abrir a janela e ver um cedro de mais de 100 anos?’’, ressalta.
É na chácara que ele se entretém com o plantio de café e pecan, além da criação de galinhas. ‘‘Mas faço questão de dar toda a produção, nunca comercializo’’, observa. Também é no local que o médico guarda suas diversões coleções: a bibilioteca de 180 metros quadrados e com mais de seis mil volumes, os antigos potes de farmácia e peças de porcelana confeccionadas em uma antiga fábrica, fundada pelo pai. (L.O.)

mockup