Se a proposta não é obter propaganda em troca da benfeitoria, o processo é bem mais simples e elimina a necessidade de licitação. Basta a Prefeitura fazer um termo de parceria direto com o proponente e é colocada apenas uma plaquinha no local adotado indicando a empresa que faz a manutenção. ''Quem desejar adotar uma pracinha ou canteiros de ruas, perto do seu estabelecimento ou próximo da rua onde mora, basta nos procurar e manifestar o interesse'', explica o secretário Andriguetto.
Na Avenida Presidente Kennedy, está localizada, talvez, a primeira pracinha a ser adotada pela iniciativa privada, na cidade. A Praça Joseph Smith, aliás, só foi concluída com a colaboração da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecida como Igreja Mórmon. A pracinha foi construída simultaneamente à capela, erguida à frente do largo, no ano de 1978, por isso recebeu o nome do profeta e fundador. ''A partir daquele momento, a capela se comprometeu a fazer a manutenção da praça permanentemente'', conta o diretor de assuntos públicos da região Curitiba, irmão Luiz Berlim.
A limpeza, corte de grama e manutenção das flores e plantas acontecem mensalmente. Há cerca de três anos, tudo é organizado e executado por voluntários e corresponde a uma das ações do ''Mãos que ajudam'', programa que realiza trabalhos sociais como reformas de escolas públicas. ''Temos um projeto para revitalização da pracinha que será patrocinado integralmente por um membro da igreja. falta apresentá-lo a Prefeitura. Também é nossa responsabilidade cuidar dos espaços públicos, afinal são nossos'', acredita irmão Berlim.
O Largo Pedro Deconto, nas Mercês, também foi reformado pela Academia Via Ventura, em paralelo à construção do empreendimento, no ano de 2005. No largo foram instalados novos equipamentos: casinha, parquinho e balanços de madeira, bancos, calçadas, vasos e floreiras. O local ganhou projeto de paisagismo, grama, caminhões de areia e melhorias na iluminação. ''Fomos até a Prefeitura para saber qual o processo para adotar uma praça. Quando saiu a nova lei, fomos os primeiros a assinar o termo de compromisso com a manutenção'', conta Eduardo Córdova, administrador da academia, infomando que a manutenção é feita a cada 15 dias por funcionários da Via Ventura, que investe R$ 2 mil, por mês, para esse fim.
''Poderíamos até fazer a divulgação da academia, mas esse não é o nosso objetivo, queremos contribuir mesmo. O largo estava abandonado, servia como ponto de venda de drogas. Depois da revitalização, os moradores passaram a frequentar o lugar. Vejo os pais trazerem os filhos para brincar aqui. Muitos vizinhos já vieram nos agradecer pela mudança'', relata ele, acrescentando que os alunos da academia ainda aproveitam o largo para fazer alongamentos e exercícios. ''Acho que ações como essa poderiam ser ainda mais incentivadas pela Prefeitura, talvez com benefícios fiscais, afinal estamos exonerando a Prefeitura desses custos. Se houver descontos de impostos, serão bem-vindos'', disse Córdova. (F.G.)

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