Há quase 50 anos, riacho foi represado para formar lagos
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de novembro de 2006
Texto: Fábio Cavazotti<br>Fotos: Carllos Bozelli 
Corria o ano de 1957 quando a administração municipal tomou uma iniciativa que marcaria para sempre a paisagem e o cotidiano de Londrina. O ribeirão Cambé, que ficava além dos limites urbanos, foi represado para formar o Lago Igapó. Naquele tempo, o acesso ao local da barragem, no início da atual avenida Harry Prochet, era feito apenas por ruas de barro.
As imagens da época ainda vibram na mente do engenheiro José Augusto de Queiroz, de 75 anos, responsável pela construção da barragem na gestão do ex-prefeito Antônio Fernandes Sobrinho (1955-59). O ribeirão tinha uns dois metros de largura, as águas eram extremamente limpas e carregadas de bagres e lambaris. Nós desviamos o curso para um lado, fizemos o começo da barragem, daí desviamos para o outro, onde ainda hoje está a comporta, e concluímos a obra, conta.
Quando terminamos, começou a encher com a água do Cambezinho. Levou quatro meses para atingir toda a extensão. O fundo do lago favoreceu o trabalho porque a rocha é muito superficial, aflora facilmente, como se pode ver até hoje na barragem.
O engenheiro conta que, no início, não se pensava que o Lago Igapó alcançaria a importância que passou a ter para Londrina com o crescimento da zona urbana. De acordo com ele, a expectativa é que a cidade não ultrapassaria os limites do ribeirão Cambé.
Orgulhoso pela obra, Queiroz só lamenta a ocupação residencial na área em que era previsto outro parque, entre o lago e a atual avenida Adhemar de Barros, no Jardim Bela Suiça. Aquela área deveria ser inedificável. Se tivesse ficado um parque de cada lado, hoje seria muito mais bonito. Quando começou o loteamento, eu fiquei contrariado. Me chamaram de comunista, o que é um absurdo, e eu preferi sair da prefeitura, relembra o engenheiro que não suportou nem 10 páginas de O Capital, de Karl Marx.
Dez anos depois, Queiroz voltou à prefeitura como secretário de Obras na administração Dalton Paranaguá, período em que o paisagista Burle Max foi contratado para planejar o parque em que hoje está a pista de caminhada. Ele veio aqui, nós o levamos até à beira do lago e ele ficou maravilhado, comentou que era um sonho para qualquer cidade uma obra assim.
Hoje, o que chama a atenção do pioneiro da engenharia local autor também da Concha Acústica é a degradação do Lago Igapó. A bacia do Cambezinho recebe todo tipo de descarte. É uma pena, lamenta.(Leia a repercussão sobre o diagnóstico do Cambezinho na terça-feira )


