Na quinta-feira o Presidente Lula sancionou a lei 11.899, que institui o Dia Nacional da Leitura como 12 de outubro e a Semana Nacional da Leitura e da Literatura para o mesmo período. A coluna Dois Lados aproveita a deixa e questiona: como vai o interesse pelos escritores paranaenses? ''Com os prêmios que o Cristovão Tezza ganhou no ano passado, aumentou muito'', responde a professora de Literatura da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Marta Morais da Costa, 63, que acredita ser fundamental divulgar a cultura local. A literatura, ela lembra, é parte do cotidiano de poucas pessoas. ''Mas o interesse pode ser despertado. Quanto mais se fala e mais se mostra, ele aumenta.'' Muitos de seus alunos do mestrado e doutorado desconheciam o escritor Valêncio Xavier - paulista de nascimento mas que viveu no Paraná de 1968 até seu falecimento, em dezembro passado. Depois que ela apresentou os alunos ao universo de trabalhos como ''O Mez da Grippe e Outros Livros'', o interesse apareceu, surgindo textos e debates. ''Se do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro saíram tantos talentos, tem tudo para acontecer aqui também'', opina. ''E a mídia tem um papel importante nisso.''
''Com frequência as pessoas procuram por Dalton Trevisan, Miguel Sanches Neto e Domingos Pellegrini. Mas busca massificada mesmo foi durante o Natal, com o 'O Filho Eterno', do Cristovão Tezza'', conta a gerente do departamento de livros da FNAC Curitiba, Susane Herr, 33, em referência ao escritor catarinense radicado na cidade. As prateleiras da loja em que trabalha guardam 65 mil títulos, alguns de autores paranaenses. ''Em alguns momentos a procura está em livros que não temos. São títulos que, em muitas das vezes, temos o interesse de ter no acervo, mas ou não possui o ISBN (registro na Biblioteca Nacional) ou mesmo nota fiscal.'' A gerente lembra que, como a empresa trabalha com o rigor da lei, não pode aceitar obras nessas condições. ''Ainda falta um maior profissionalismo por parte dos escritores paranaenses. Pela vontade de distribuir por conta própria, acabam pecando em detalhes simples, o que prejudica a divulgação de sua obra.'' Susane, que trabalha com livros desde 1994, sugere o contato com distribuidoras que têm o interesse de trabalhar com autores paranaenses. Ela cita duas: ''A Página'' e ''Instituto Memória''.

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