Israel Reinstein
De Curitiba
Todos os dias, no fim da tarde, a mulher do porteiro Gilmar Cardoso liga pedindo ao marido que compre o pão antes de ir para casa. Normalmente, quando recebe a chamada, Gilmar está dentro de um ônibus. ‘‘Fico um pouco envergonhado em falar com tanta gente por perto, mas não sou a única pessoa que usa o celular no ônibus’’, afirma. Realmente, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações, desde a privatização o número de celulares no País cresceu de 6 milhões para 8,4 milhões, registrados no ano passado. Para este ano, a previsão é que o número chegue a 11 milhões de aparelhos.
A Anatel calcula que em torno de 550 mil dos paranaenses tenham um aparelho em mãos. No ano passado, este número era de 460 mil, quando em 1996 não passavam de 131,7 mil. Entre as razões que motivaram o crescimento está a queda nos preços das assinaturas e também dos aparelhos celulares, motivada pela concorrência entre a Tim Telepar Celular, Global Telecom e Sercomtel.
Desde que começou a briga por mercado, as empresas deixaram de cobrar pela habilitação do telefone, bem como promoveram redução nos preços dos aparelhos. Hoje uma pessoa pode habilitar uma linha e aparelho por menos de R$ 200,00 ou então parcelae em até seis vezes. Há dois anos, o gasto podia alcançar até R$ 2 mil, valor similar ao cobrado pela assinatura de um telefone fixo da época.
‘‘O que mais me atraiu foi a rapidez de poder sair com o aparelho na hora que acertei o financiamento’’, diz o motorista Florisvaldo Teodoro Batista. Morador na Tatuquara, periferia de Curitiba, ele afirma que ainda espera na fila da telefonia fixa para ter um aparelho em casa. ‘‘Para não deixar minha família ilhada em casa, comprei um celular para saber como estão meus filhos’’, diz. O motorista adquiriu o serviço light, sujos os serviços pesam pouco sobre a renda familiar, mesnos de 10%. Pelos dados da Anatel, pessoas como Florisvaldo representa hoje 30% do mercado. Há dois anos, a participação deles resumiam-se a 2%.
Por enquanto, o público predominante são pessoas como o corretor Paulo Camargo. Para ele, o celular é apenas um instrumento de trabalho, que serve para que os clientes o encontrem. Proprietário de linhas telefônicas fixas, tanto em sua casa como trabalho, ele considera que a facilidade da mobilidade dos celulares e os preços são fatores que ampliam o mercado. ‘‘Antigamente, o celular era símbolo de status; hoje já tem até lixeiro com seu aparelho no bolso’’, afirma.Segundo a Anatel, já são 550 mil os paranaenses proprietários de um ap arelho de telefone celular
Albari Rosa‘‘O que mais me atraiu foi a rapidez de poder sair com o aparelho na hora que acertei o financiamento’’, diz o motorista Florisvaldo Teodoro Batista, morador do na Tatuquara, que não quer deixar a família ‘‘ilhada’’ enquanto espera pelo telefone fixo. A oferta é grande e acessível a todas as rendas

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