Há 75 anos a primeira eleição em Londrina
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sábado, 11 de setembro de 2010
Widson Schwartz<br>Especial para a FOLHA 
Levando-se em conta citações diversas, havia no município de Londrina em 1935 então uma área de 923.117 alqueires , entre 10 mil e 15 mil moradores, dos quais entre três mil e quatro mil na sede. Buscar eleitores naquela vastidão, que ainda estava com a maior parte inóspita, seria tarefa árdua, talvez a justificativa para tão-somente 214 votos na primeira eleição municipal, em 12 de setembro.
Há 75 anos, portanto, os pioneiros elegeram o seu primeiro prefeito, Willie Davids, e seis vereadores: Honório Martins Ribeiro, Jacinto Antenor Cardoso, João Figueiredo, João Wanderley, Luiz Estrella e Serafim de Almeida. Desde a instalação, em 10 de dezembro de 1934, o município tinha os prefeitos nomeados pelo interventor federal no Estado e não havia Câmara de Vereadores; as eleições no país foram restabelecidas pela Constituição promulgada em 16 de julho de 1934, uma abertu-ra da ditadura imposta pela Revolução de 30.
Na comarca de Jataí, 33ª Zona Eleitoral, o Partido Social Democrático (PSD) obteve em Londrina 179 do total de 214 votos apurados, elegendo o candidato único a prefeito e os vereadores, conforme pesquisa disponível na Biblioteca Municipal. Acrescenta que Serafim de Almeida obteve 50 votos, 23% do total, e ficou em primeiro lugar entre os vereadores.
Governista, o PSD havia se estruturado em Londrina sob influência da Companhia de Terras Norte do Paraná
(CTNP); a eleição de Willie Davids, seu diretor-técnico, e da maioria dos vereadores, concilia interesses da empresa e do Estado. O médico contemporâneo Adolfo Barbosa Góis recordaria o controle territorial e político da Companhia, fazendo que tudo dependesse de sua ordem e orientação. O vereador Jacinto Cardoso era um impostor que se dizia farmacêutico e médico, dirigia a farmácia do hospital da Companhia e como tal exercia ilegalmente a medicina, receitando entorpecentes, relatou Góis na Associação Médica de Londrina.
Outros vereadores ligados à colonizadora: João Figueiredo, médico contratado para o hospital; Luiz Estrella, contador-chefe; e João Wanderley, comerciante fornecedor.
A Companhia de Terras tinha no Paraná-Norte o seu veículo de comunicação, embora Humberto Puiggari Coutinho, proprietário do semanário, o proclamasse independente, não recebendo, em absoluto, nenhuma subvenção de quem quer que seja e, muito menos, do Partido Social Democrático.
A posse do prefeito e dos vereadores, em 20 de janeiro de 1936, foi também uma conquista do jornal, segundo a sua edição de 9 de fevereiro de 1936: Esta folha, que por viver do povo e para o povo, tomou a mais franca atitude ao lado do Diretório do PSD, na defesa do programa dessa entidade política, sente-se satisfeita com o êxito da campanha que empreendeu, cuja vitória concretizou-se na instalação da Câmara Municipal que vem de inaugurar o primeiro governo constitucional do município. Sob a presidência de João Wanderley, a Câmara começou a funcionar em 4 de fevereiro.


