Curitiba - A Prefeitura de Curitiba será comandada por Gustavo Fruet (PDT) ano que vem, após uma vitória folgada sobre o deputado federal Ratinho Júnior (PSC). Ele conquistou 60,65% dos votos válidos, contra 39,35% do rival.
''Foi uma campanha difícil, como será também o primeiro ano na prefeitura'', disse Gustavo logo após o anúncio do resultado. Tentando virar a página da campanha eleitoral, ele evitou falar sobre a troca de críticas entre os candidatos. ''Conversei com o prefeito Luciano Ducci e nomeei o economista Fábio Scatolin para coordenar a transição'', repetia Gustavo para a imprensa, visivelmente aliviado.
A diferença de 209 mil votos entre o pedetista e Ratinho refletiu a competência de Gustavo em conquistar os eleitores que haviam escolhido Luciano Ducci (PSB) no primeiro turno. Apoiado pelo governador Beto Richa (PSDB), de quem foi vice nas administrações anteriores da capital, Luciano falhou em reeleger-se, pondo fim à hegemonia de 24 anos do mesmo grupo político na direção da capital. Já no carro de som, a caminho do centro da cidade, Gustavo fez referência a isso.
''Pai, conseguimos!'', gritou. O último prefeito antes da ''linhagem'' inaugurada por Jaime Lerner foi justamente Maurício Fruet, pai de Gustavo. ''Eu entendo que foi a combinação de um candidato identificado com Curitiba, que é o Gustavo Fruet, e uma boa avaliação dos programas sociais do governo Dilma'', disse Jorge Samek, diretor da usina Itaipu Binacional. Samek é um dos fiadores do nome da advogada Miriam Gonçalves para a vice do pedetista, e a acompanhou tanto no primeiro quanto no segundo turno, enquanto o casal ministerial, Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, chegava e saía junto com Gustavo. A eleição de 2014 também foi evitada por Gustavo e Gleisi, que disseram ser muito cedo para falar do assunto.
A carreita política do prefeito eleito é marcada pelo confronto com lideranças partidárias, pois num passado recente Gustavo deixou o PMDB e o PSDB após desavenças com Roberto Requião (PMDB) e Beto Richa (PSDB). Ambos negaram a ele espaço para ser candidato a prefeito de Curitiba, que Gustavo só obteve ao filiar-se ao PDT, numa aproximação pragmática com o PT e o PV. ''Foi uma campanha marcada pela persistência'', disse a irmã de Gustavo, Eleonora Fruet, que deverá ocupar cargo de destaque na futura administração. ''Quando faltavam recursos, os apoios sumiam e as pesquisas diziam o contrário, ele continuou. Tivemos muita ajuda de voluntários'', declarou. Os institutos de pesquisa não previram a o crescimento da candidatura de Gustavo, que foi ao segundo turno com apenas 4 mil votos a mais que o atual prefeito.
Ontem Ratinho enviou nota à imprensa, deixando para falar pessoalmente sobre o resultado hoje à tarde. ''Vou retomar meu mandato de deputado federal e trabalhar muito para trazer recursos e defender os interesses da cidade. O resultado da eleição mostrou que nós representamos uma grande parcela da população de Curitiba. E isso nos dá credibilidade para fiscalizar e cobrar a atuação do novo prefeito'', disse. O presidente municipal do PSC, Antônio Borges dos Reis, afirmou ser até possível ''construir politicamente uma união com Gustavo para o bem da cidade''. O PSC possui a maior bancada de vereadores da nova Câmara Municipal, com seis parlamentares. Contudo, vereadores eleitos do DEM, PPS e PSDB já declararam apoio à Gustavo durante seu mandato.

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