Uma amiga ganhou uma cortesia (por conta do Dia da Mulher) para almoçar com acompanhante em um restaurante bacana da cidade. Não sabe se leva o marido, a filha ou uma amiga (eu, no caso). Sugeri que ela levasse o marido. Sei que é nosso dia, mas é uma boa hora para uma trégua na ''Guerra dos Sexos''.
Não. Eu não fiquei louca. Nem assisti recentemente aos episódios completos da gloriosa série Malu Mulher, em que Regina Duarte vivia às turras com Denis Carvalho. Muito menos fui teletransportada para os anos 60/70, quando fervia a luta pela igualdade e nossas heroínas feministas queimavam sutiã em praça pública.
Na casa da minha amiga ainda resistem ''focos'' desse conflito, porém em uma versão pós-moderna. Por trás de uma roupa fashion, de um cabelo moderninho e daquele sapato-tênis, o marido dela se comporta tal como meu bisavô.
Pobre colega, descobriu dia desses que as mulheres são de Vênus e os homens são de Marte. Ou seja, tudo o que o então noivo propôs no dia em que a pediu em casamento era simples figura de linguagem. O moço declarou que a amava tanto que estava disposto a financiar - em sociedade - um apartamento em 15, 20 anos. Prometeu que jamais reclamaria do arroz queimado e seus sentimentos eram tão sérios que até carnê de prestação ele toparia dividir com ela.
Após oito anos de casado, o homem ficou tão louco para quitar o apartamento que o casal precisou usar o fundo de garantia. Hoje, minha amiga está neurótica, com medo de perder o emprego e não ter como se manter até achar um novo trabalho.
Outro dia, a casa quase caiu quando a mulher resolveu comprar um fogão novo a prestação. Não só ele esqueceu da promessa de dividir o carnê, como confiscou dela os talões de cheque. Agora ameaça também esconder os cartões de crédito.
A última novidade foi uma divisão nada democrática das responsabilidades do lar. O marido lembrou que a missão dele era fazer supermercado e ir ao banco quando fosse necessário resolver qualquer pendência da conta conjunta. A tarefa dela era educar os filhos. Como assim? Banco se resolve pela internet e supermercado é feito uma vez por semana, reclamou a moça. Quanto aos filhos, é trabalho para 24 horas/dia.
Pensando bem, é melhor eu aceitar o convite para almoçar com minha amiga. Temos ainda que definir muitas estratégias de guerra. E vivam as mulheres!

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