O segundo grupo adota uma posição oposta em relação à compra. É a parcela da população que, para sentir-se bem, aposta no consumo racional, baseado no que se precisa, sem supérfluos. Tem outras preocupações e aparece em menor número. ''Compro menos e consumo menos, mas com mais qualidade'' foi a resposta de apenas 23% dos entrevistados.
Pessoas com acesso à informação e bons argumentos para defender e justificar suas posições, geralmente são minoritárias até dentro de casa. ''A gente pode usufruir da vida sem ter de consumir. Só compro o necessário, não faço questão de coisas novas, sofisticadas ou de última geração'', afirma a ex-bancária Mariley Lambert, de 37 anos.
São pessoas resistentes ao aforismo do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que diz que ser sujeito no mundo de hoje é ser consumista. ''Se você não consome, não é ninguém. São atitudes de consumo, de compra, socialmente produzidas pelo mundo capitalista. Há os que resistem, que subjetivam esses estímulos da mídia para comprar de outra maneira'', analisa a psicóloga Neusa Guareschi, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
E há ainda os que descobrem em sua busca por um bem-estar que podem modificar sua relação com o consumo, como o analista de sistemas Rodrigo Laranjo, de 28 anos, um ex-viciado em compras que se define agora como um consumista racional. ''Eu gastava demais, comprava por ansiedade. Até que em 2003 perdi o emprego e tive de repensar minha relação com dinheiro.''(A.E.)

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