Grupo de idosos da Acel completa 20 anos
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de junho de 2018
Amanda de Santa<br>Especial para a FOLHA 

Pioneiro nas atividades com a terceira idade, o Grupo de Idosos da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel) completa 20 anos em 2018. Por meio dos Kumichos, responsáveis por divulgar e avisar os membros da comunidade japonesa sobre qualquer fato importante, foi feito o convite para os idosos participarem da primeira reunião, em 1998. Trezentos e cinquenta compareceram. Desde então, de forma ininterrupta, o grupo, hoje com cerca de 120 frequentadores, se encontra mensalmente na Acel.
A ideia de reunir os japoneses e descendentes com mais de 65 anos surgiu após as comemorações do Imin 90. Segundo a coordenadora do Grupo de Idosos da Acel, Luzia Mitsue Yamashita Deliberador, o principal objetivo foi promover uma mudança cultural, de respeito à cidadania e valorização dos idosos em Londrina, assim como ocorre no Japão. Do grupo saiu o primeiro secretário municipal do Idoso da cidade, Luiz Carlos Miguita. A pasta, primeira do gênero no Brasil, iniciou as atividades no ano 2000.
Mais de 20 voluntários trabalham para organizar as reuniões mensais, que ocorrem durante as terceiras quartas-feiras do mês, com exceção de janeiro. Os encontros oferecem palestras, atividades físicas e culturais, como música, karaokê e dança. "Fazemos um trabalho preventivo e educativo, não curativo", afirma Deliberador. A programação é bilíngue português e japonês mas as atividades são abertas para todos, inclusive não descendentes. No mínimo duas vezes ao ano o grupo é levado para passeios.
No mês de junho, os participantes comemoram o Dia do Imigrante com uma cerimônia budista para os pioneiros e antepassados, o "Iresai". Também é feita uma homenagem para pessoas com mais de 80 anos, chamada "Keirokai". "Quem faz o levantamento dos idosos são os Kumichos, coordenadores dos Kumis, comunidades japonesas", diz a coordenadora. Eles possuem um "sistema de avisadores" e cada um tem a responsabilidade de comunicar um determinado número de famílias sobre fatos relevantes para a comunidade japonesa.
Há pelo menos 15 anos, Inês Masae Tomita, 81, participa das reuniões na Acel. Ela conheceu o grupo de idosos por indicação da irmã e de algumas amigas. "É maravilhoso. A gente conversa, se distrai, dança. É um dia muito especial para mim", conta. Ela vai de ônibus até a antiga sede da associação e, de lá, pega o transporte fretado especialmente para os participantes. Aposentada e viúva, Tomita diz que sua agenda de atividades é cheia. Além de frequentar as reuniões mensais, ela também participa de grupos de bon odori e compromissos da igreja.
Aos 80 anos, Letícia Hiroko Omotto não perde uma reunião do grupo e a oportunidade de encontrar as amigas e colocar o papo em dia. "É muito divertido, não podemos deixar de ir", justifica. Participante ativa há mais de 15 anos, ela elogia a dedicação das coordenadoras, responsáveis por planejar as atividades e animar os idosos durante os encontros. Para Luzia Mitsue Yamashita Deliberador, a longevidade do grupo da Acel se deve à organização, atividades diferenciadas, calendário fixado com antecedência. A prioridade do trabalho é melhorar a autoestima dos participantes.
RESGATE E PRESERVAÇÃO DA CULTURA
O primeiro navio com imigrantes japoneses, o Kasatu Maru, chegou ao Brasil em 18 de junho de 1908. Eles vieram trabalhar nas fazendas de café de São Paulo e chegaram esperançosos, acreditaram que enriqueceriam rapidamente e poderiam retornar ao país de origem. Porém, logo perceberam que a propaganda feita no Japão era enganosa. Enfrentaram condições de moradia, trabalho e alimentação precárias, além de muitas dificuldades de comunicação e adaptação dos costumes locais.
Diante da impossibilidade de retornar ao Japão, os imigrantes buscaram a integração no Brasil. Investiram na educação dos filhos e organizaram-se em associações, que têm como foco manter as tradições e identidade, além de ser um canal de comunicação entre os descendentes e a sociedade brasileira. Os idosos têm uma participação efetiva em todas as manifestações da cultura japonesa, especialmente nas que envolvem canto e dança. É uma forma de se conectarem às raízes do país de origem.
É por isso que os encontros mensais do Grupo de Idosos da Acel se tornaram "tanoshimi" na vida dos participantes, ou seja, são esperados ansiosamente. "As reuniões começam a partir das 13h30, mas 11h30 já tem gente lá", conta Deliberador. Os frequentadores veem no grupo a oportunidade de reencontrar velhos amigos e vivenciar os tradicionais costumes japoneses, como o canto e a dança de canções folclóricas. As atividades ajudam a espantar a tristeza, solidão e a saudade do Japão.


