Greca defende feriado no dia 26
Ministro acredita que festejos dos dois mil anos da Ressurreição de Cristo, dia 22, podem obscurecer festas dos 500 Anos do Brasil
Ilimar Franco
Agência O Globo
O ministro dos Esportes e do Turismo, Rafael Greca, aparentemente quer transformar as comemorações dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil num megaferiado de 11 dias. O ministro enviou projeto de lei à Câmara decretando feriado em 26 de abril, data dos 500 anos da primeira missa rezada no país. A proposta irritou o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), que foi ao presidente Fernando Henrique Cardoso avisar que não vai pôr o projeto em votação.
Seria muito negativo para a Câmara disse Temer ao presidente.
Líderes dos partidos aliados consideram o projeto mais uma infelicidade de Greca e dizem que a simples inclusão na ordem do dia da Câmara já seria motivo de chacota para o Congresso. O feriado de 26 cairá numa quarta-feira, sendo que na sexta-feira anterior será feriado de Tiradentes (21 de abril) e na segunda-feira seguinte, Dia do Trabalho (1º de Maio).
É loucura. O País não pode ficar 15 dias parado criticou o líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE). O líder do Governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), submeteu a proposta aos líderes para contornar os pedidos do ministério, de que o projeto fosse votado. Na reunião, um dos líderes chegou a ler, ironizando, a exposição de motivos de Rafael Greca para justificar um feriado singular em 26 de abril de 2000.
Um dos motivos alegados é permitir à grande maioria do nosso povo o acesso à celebração (da missa dos 500 anos na Baía de Cabrália) através dos meios de comunicação social, rádio, televisão e webs. Greca argumenta que a Baía de Cabrália, lugar escolhido na celebração da primeira missa contará só com a presença da população local.
Sou católico e, se puder, vou assistir à missa, mas o País já tem feriados demais disse Inocêncio. Greca levou o projeto ao presidente em janeiro e, depois de muita relutância pelo excesso de feriados , o Palácio do Planalto decidiu encaminhá-lo ao Congresso no fim de fevereiro. O ministro afirma que os festejos dos dois mil anos da Ressurreição de Cristo, dia 22 (sábado de Páscoa), vão obscurecer as festas dos 500 Anos do Brasil e, por isso, o ponto alto da festa nacional passaria a ser no dia 26.
A CNBB apóia a proposta e acredita que o feriado do dia 26 pode ser uma oportunidade de também se refletir sobre o futuro do país. O repouso permite maior reflexão sobre como construir um país mais justo e fraterno afirmou o secretário-geral da CNBB, Dom Raimundo Damasceno. Para ele, as festas dos 500 anos do Descobrimento são atos importantes e, com o feriado, será possível que as pessoas acompanhem e participem das comemorações.





