Curitiba é a capital com a menor proporção de moradores que têm o hábito de consumir bebidas alcóolicas com frequência e em excesso. Foi o que mostrou o levantamento que compõe o sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel), do Ministério da Saúde, divulgado recentemente. Já em relação ao tabagismo, a posição, ainda, não é confortável. Curitiba, junto de São Paulo, tem o quarto maior percentual no ranking entre as 27 capitais, com 18,8% de de fumantes com idade igual ou superior a 18 anos. Considerando só a população feminina, Curitiba ocupa a 3 posição, com 15,9% de fumantes.
O hábito de fumar é maior entre os homens (22,1%). Em contrapartida, a pesquisa mostrou que a população masculina tem maior facilidade em abandonar o vício: são 28,7% de ex-fumantes homens e 18,7% de ex-fumantes mulheres.
A boa notícia é que houve uma redução de 3,3% no número de fumantes em relação ao levantamento feito pela Prefeitura de Curitiba, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) - órgão vinculado ao Ministério da Saúde, nos anos de 2002 e 2003. Os fumantes correspondiam a 21,5% da população: 24,2% eram homens e 19,3% mulheres.
Segundo a coordenadora do Centro de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Curitiba, Karin Luhm, a pesquisa foi semelhante à divulgada agora, que foi realizada em 2006. Uma das diferenças está na faixa etária pesquisada, anteriormente, que era de 15 anos ou mais. Para ela, isso reforça a tese de queda no número de fumantes, já que dos 15 aos 18 anos, o tabagismo é menos frequente.
Karin acredita que, além da maior conscientização sobre os riscos do tabagismo, os programas desenvolvidos pela prefeitura, que começaram a ganhar ênfase a partir de 1999, vem contribuindo para a redução no número de fumantes. No ano passado, passaram pelo programa de apoio à cessação do tabagismo ''Viva sem Cigarro'', perto de 6,5 mil pessoas (veja texto nesta página).
O levantamento do Ministério da Saúde aponta outros hábitos de vida que influenciam no desenvolvimento de doenças crônicas como hipertensão e diabetes. Em relação à alimentação e à prática de exercícios físicos, os curitibanos ainda têm muito no que se disciplinar, já que o consumo de alimentos gordurosos prevalece e o de frutas e hortaliças é baixo (confira os dados no infográfico). Curitiba é a quinta capital brasileira com maior percentual de pessoas com excesso de peso.
Para incentivar o hábito de uma dieta mais saudável, a prefeitura ampliou o número de nutricionistas nas unidades de saúde para orientação alimentar. A Secretaria Municipal de Abastecimento, também, desenvolve programas para incentivar a implantação de hortas comunitárias e, em parceria com universidades, trabalha em ações de educação alimentar e nutrição.
O Ministério da Saúde pesquisou, também, a prevalência de hipertensão arterial e diabetes entre a população: doenças cujo controle ou prevenção têm relação direta com hábitos saudáveis de vida. Segundo Karin, em 2006, as unidades de saúde prestaram atendimento a 100.005 hipertensos e 28.597 diabéticos. Além de exames para monitorar a doença, os pacientes recebem orientação de dietas e atividades físicas. O objetivo principal é prevenir complicações já que a hipertensão, por exemplo, é fator de risco para outras doenças.
Para Karin, levantamentos como o sistema Vigitel são fundamentais para definir políticas públicas locais, avaliá-las e as redirecionar quando necessário.

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