Governo puxou o tapete
no começo do Plano Real
Outro momento crucial vivido pelos agricultores foi em 1995, no início do Plano Real. O país produziu uma safra recorde de 80 milhões de toneladas, mas o governo federal ‘‘puxou o tapete do agricultor’’, diz Carlos Augusto Albuquerque. Isso porque o País facilitou as importações, sem qualquer medida de salvaguarda, e os preços dos produtos no mercado interno desabaram. Para agravar a situação, o governo suspendeu o crédito de comercialização por duas vezes. A consequência desse conjunto de fatores negativos foi a queda de renda em torno de 26% para o setor agrícola.
Com a impossibilidade de pagar as dívidas depois desse episódio, o governo apresentou a securitização das dívidas. A partir desse período, no entanto, os preços dos produtos começaram a cair. Para compensar as perdas, os produtores reduziram a área de produção e investiram no aumento de produtividade. Apesar disso, a renda permaneceu a mesma, sinal de que a variação positiva da produtividade não foi incorporada como renda.
Para se ter uma idéia, do Plano Real para cá, os preços dos alimentos subiram 10%, enquanto a inflação evoluiu entre 58% e 60%, medida pelo IGP (Índice Geral do Preços). ‘‘Com isso está provado o aperto de renda’’, aponta Albuquerque. Ele destaca como ‘‘alívio’’ o ano de 1996, quando a produção agrícola desabou para 74 milhões de toneladas. Nesse ano, os produtores foram beneficiados porque os preços dos produtos aumentaram, com a escassez, e houve quebra na safra americana de soja e trigo, com reflexos positivos sobre os preços no Brasil. Outra política absurda, segundo o assessor econômico da Faep, foi a sobrevalorização do real, responsável pela quase extinção de alguma culturas com as quais o País se destacava como um importante produtor. É o caso do leite e do algodão. Agora o momento é considerado crucial: renegociar as dívidas ou continuar em dificuldades.

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