Gomyde está no PC do B desde 1993
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Karla Losse Mendes e Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
FOLHA DE LONDRINA: Como deve ser o relacionamento entre o governo do Estado e a prefeitura?
RICARDO GOMYDE: Tem que ser institucional. A legislação prevê que os entes públicos têm que relacionar. Evidentemente que um prefeito rompido com o governador tem as suas dificuldades. Agora tem que ter inteligência política para conseguir superar essa dificuldade operacional porque senão a população é prejudicada. Eu teria facilidade nesse aspecto.
FOLHA: O senhor está trabalhando no governo Requião desde 2003. E agora deixou a Paraná Esporte para concorrer contra o candidato do governador à prefeitura. O senhor não acha isso incoerente?
GOMYDE: Não acho. Eu tenho independência política, sempre tive. A minha participação se dá dentro de determinados aspectos. Em nenhum momento, nem eu, nem o meu partido, a gente teve uma adesão ao governo. Há uma unidade política para determinados assuntos. Sem que fira a independência política. Sou candidato a prefeito porque o meu partido quis e eu quis também. Acho que tenho propostas para a cidade.
Tenho experiência legislativa e executiva. Com exceção do Beto Richa, sou o único candidato que tem essas duas experiências. Já fui vereador, deputado federal. Também fui gestor público. Estou na Paraná Esporte desde 2003. Tenho experiência em gerir orçamento. O partido entendeu que eu estava maduro para me candidatar a prefeito. E é esse o raciocínio que embasa a minha candidatura. Faço questão de dizer que não sou candidato nem para ajudar outro candidato nem para prejudicar nenhum candidato. Sou candidato para divulgar as minhas propostas e as do partido. Não há incoerência nisso.
FOLHA: O que o senhor acha que sobrou da ideologia comunista e que ainda faz parte das bandeiras do seu partido, o PC do B?
GOMYDE: Eu me orgulho muito de estar no partido desde 1993. Nunca troquei de partido. Porque as conveniências acabam empurrando os candidatos para lá e para cá. E agora ainda tem esse arremedo de fidelidade partidária. Antes não tinha. Tem deputado aí que já passou por oito partidos em uma só legislatura.
Tudo muda. O comunismo teve suas mutações também. Muita gente quer uma defesa pura do comunismo tal como no manifesto comunista de (Karl) Marx e (Firedrich) Engels. Mas seria uma insanidade querer transportar para hoje um escrito de 160 anos para implementá-lo ao pé da letra. Mas há bandeiras históricas que continuam norteando o PC do B. São inspirações. Marx foi um dos maiores pensadores da humanidade não somente para os socialistas e comunistas. E tudo isso serve como fonte de onde o PC do B continua bebendo. Agora cada vez com mais abertura porque tem valores que o PC do B não abre mão, como a democracia, liberdade de imprensa, justiça social.
FOLHA: O senhor é contra a prática do nepotismo?
GOMYDE: Sou radicalmente contra. Nunca pratiquei. Acho que a ocupação da função tem que ser pelo mérito. Mas também não faço ''cavalo de batalha'' nesse ou naquele lugar onde possa ter tido uma situação. O Zeca do PT, por exemplo, quem coordenou a campanha dele para o governo do Mato Grosso do Sul foi um irmão dele que só faz política. Depois de eleito o irmão acabou desempenhando uma função lá, na implementação dos programas de governo. Não vejo como uma atitude criminosa essa. Agora que a nomeação tem que se dar por critérios técnicos.
FOLHA: O senhor tem alguma proposta para ampliar a transparência da gestão municipal caso eleito?
GOMYDE: Acho que é fundamental. Curitiba coloca na internet o seu orçamento. Mas de forma hermética. Não é um orçamento que uma pessoa normal possa cessar e entender exatamente o que está sendo feito. O dinheiro é público. O cidadão tem que ter o direito de saber tudo que está sendo comprado para o gabinete do prefeito, a gasolina do secretário. Não há mal nisso. Pelo contrário, só há ganho. A medida que há transparência você garante que o gasto vai ser mais equilibrado, que o dinheiro será melhor aplicado. Esse é um conceito que tem que ser radicalizado.


