Pelo menos três fatores têm responsabilidade direta sobre o crescimento das crenças esotéricas e exóticas, frente ao avanço, a passos cada vez menores, das Igrejas tradicionais. Segundo a professora Elena Andrei, a globalização, a pós-modernidade e a corrupção estão detonando os paradigmas nos quais a educação de toda uma geração se baseou.
Os dois primeiros fatores, em âmbito mundial. O terceiro, é claro, em nível nacional. ''Como consequência, as pessoas passam a buscar crenças onde a intervenção divina pode ser diretamente realizada por meio do homem e dos próprios desejos, com o uso da magia. Daí o crescimento das crenças esotéricas'', explica a professora, que destaca ainda um quarto fator, presente somente em Londrina, o nascimento da cidade no meio deste contexto.
''Com a globalização e a pós-modernidade, vimos instituições como a família, a sexualidade e o trabalho se fragmentarem. Eram conceitos que até então serviam como pilares para a construção da moral da sociedade. Se eles não existem mais e se a Igreja passa a não oferecer conforto espiritual para esta lacuna que se abriu, a solução é buscar uma alternativa que nos permita interferir nesta realidade'', afirma Elena.
''No contexto nacional, a corrupção serve como fator de desesperança e só colabora para aumentar ainda mais a sensação de vazio'', completa. Ainda segundo a professora, o mundo só viveu período semelhante em um outro momento, muito específico, da história da humanidade: a Idade Média. ''Era também um tempo de reconstrução de conceitos, por isso as crenças como a Wicca, que fazem referência direta a este período, ganham espaço hoje''.
Em Londrina, o campo para crescimento de crenças não-tradicionais é ainda mais fértil, quando a professora leva em consideração a juventude do município. ''Londrina já nasceu sob o signo da globalização. Era a capital mundial do café. Passou a ser a capital mundial da cultura verticalizada.
São valores que incluíam a cidade constantemente num clima globalizado e que colaboraram para a reformulação dos paradigmas já citados em um ritmo ainda maior. Essa característica, aliada ao fato de que a cidade tem vocação universitária e por isso uma cultura universalizada, são um prato cheio para a alimentação de novas crenças'', conclui.(A.M.)

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