Gleisi propõe estender Linha Verde para integrar RMC
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terça-feira, 09 de setembro de 2008
Karla Losse Mendes e Rosiane Correia de Freitas 
Equipe da FOLHA
FOLHA DE LONDRINA - Na sua opinião qual o melhor serviço prestado hoje pela prefeitura e qual precisa avançar mais?
GLEISI HOFFMANN - O mais eficiente é o sistema municipal de tributação, não falha em nada. Recebo todos os meus carnês de IPTU, todas as cobranças, as multas (risos). São muito eficientes. Acho que os serviços que mais precisam avançar são os serviços referentes aos cuidados com as pessoas, aí a Saúde, sem dúvida nenhuma. As pessoas sofrem muito com o Sistema de Saúde, primeiro nas unidades 24 horas, onde ficam seis, sete horas para serem atendidas. E depois na fila da Saúde para médicos especialistas e exames. É inconcebível, um município com o porte de Curitiba, com um orçamento tão alto ter gente que espera oito meses, nove meses para fazer uma mamografia. Isso tem que mudar, você está lidando com a vida das pessoas e isso é muito sério. Curitiba, que tem potencial de investimento, tem recursos, deveria investir muito no Sistema Municipal de Saúde e em creche. É uma barbaridade não ter atendimento universal de creche, e mais barbaridade ainda é o prefeito dizer que apenas nove mil crianças estão precisando. Sendo apenas nove mil, então já deveria ter feito, devia ter vergonha de dizer isso. Ou falta competência de gestão ou falta solidariedade com as mães e com as crianças.
FOLHA - Qual sua principal prioridade na área da saúde?
GLEISI - Resolver o problema das consultas com médicos especialistas e exames. E aí nós temos que fazer mais convênios, contratar mais médicos para essa área, nós vamos colocar aparelhos de radiografia e mamografia nas unidades 24 horas e regionalizar os serviços de médicos especialistas e exames. Não é contratando clínicas particulares, tem que fazer uma rede fortalecida. No primeiro ano de governo a gente já precisa estar com a fila organizada, ou seja, com atendimento normal, ninguém pode ficar meses esperando um exame. A segunda é criar um centro municipal de desintoxicação. Curitiba tem hoje um índice muito grande de pessoas usuárias de drogas ilícitas e lícitas. O álcool é infelizmente uma das drogas mais utilizadas. E nós não temos nenhum sistema de tratamento, nem para quem usa drogas e nem para doentes mentais. Então precisamos criar um centro municipal de desintoxicação e fortalecer uma rede de recuperação e isso a gente pode fazer em parceria com a rede que já existe, as igrejas, enfim, as entidades.
FOLHA - Qual sua proposta para integrar o transporte público na região metropolitana?
GLEISI - Primeiro fazer uma gestão compartilhada. Hoje a gestão é feita única e exclusivamente pela Urbs (empresa que gerencia o transporte em Curitiba), nós não temos um conselho de prefeitos da região metropolitana que discutam de forma aberta, que tenham acesso às informações da Urbs para poder ter decisões sobre o transporte coletivo. Então eu proponho um conselho de gestão de transporte coletivo formado pelos prefeitos, e que a Urbs abra suas contas para que todos os prefeitos que estão ligados à rede possam ter as informações e tomar as deliberações conjuntas. Outra coisa é a intervenção na malha viária. A Linha Verde tem que servir para integração com a região metropolitana, portanto ela tem que se transformar em um eixo metropolitano, não pode ficar entre o Atuba e o Xaxim, ela tem que ser estendida até Colombo e até o Contorno Sul para que ela possa beneficiar a população que vem de Colombo e também a população de Fazenda Rio Grande, de Araucária, através de um sistema de integração. Nós que estamos falando em metrô, no eixo norte-sul, Pinheirinho Santa Cândida, nós já temos que ter a visão de que esse processo depois passe a ser estendido à região metropolitana. Porque hoje nós temos um contingente grande de pessoas da região metropolitana que vêm à Curitiba. Vem pra trabalhar, deixar sua riqueza aqui, ajudar a economia, então esse transporte tem que servir a todos.
FOLHA - Qual o cronograma para realização do metrô? Quanto custaria essa obra e de onde viriam os recursos?
GLEISI - Os recursos viriam do governo federal. Não tem outro jeito. Qualquer cidade do País que fez metrô, fez em parceria com o governo federal ou com o governo do Estado. Nenhum município conseguiu fazer sozinho uma licitação de viabilidade, uma licitação de obras e o início das obras, sempre foi ou gestão federal ou gestão estadual, porque é um sistema complexo, é caro, é subsidiado. Curitiba por duas vezes já teve repasse de recurso para fazer licitação do projeto de viabilidade e não conseguiu fazer. O último agora foi impugnado porque a Justiça achou que o edital estava dirigindo a licitação. Eu tenho conversado muito com os técnicos federais, com a companhia brasileira de trens urbanos no sentido de que eles assumam o projeto de implantação do metrô em Curitiba, assim como foi feito em outros municípios, e que eles conduzam o processo licitatório para que a gente não fique ouvindo que tem interesses poderosos aqui contra o metrô. Então a União conduz o processo licitatório e busca financiamento para esse tipo de obra. Claro que o município dá sua contrapartida. Curitiba é um município que tem capacidade de fazer obras grandes porque tem capacidade de endividamento, a resolução do Senado diz que nós podemos ter até 120% da nossa receita em dívidas. Curitiba não chega a ter 15%, portanto há condições para que a gente faça uma obra ousada como o metrô.
FOLHA - A senhora tem uma estimativa de quanto custaria o metrô?
GLEISI - Têm muitos cálculos que variam de R$ 60 milhões a R$ 100 milhões por quilômetro, então depende do tipo que você vai fazer, se é um metrô mais fundo, mais raso, como é o projeto atual que tem se discutido para Curitiba. De fato não é uma obra
barata.
FOLHA - Existe alguma outra medida para tornar o transporte coletivo mais atraente para a população?
GLEISI - Além do metrô, faria alguns investimentos e alterações atuais. Muitas vezes para não pagar uma outra passagem, ela faz uma volta para chegar aquele local. Então isso agiliza os trajetos, isso diminui a lotação nos ônibus e nos terminais. Nós também estamos propondo fazer canaletas exclusivas para os Ligeirinhos nas vias e nas pistas que têm mais de três faixas para agilizar também os ligeirinhos e torná-los mais atraentes. Essas pistas também poderiam ser utilizadas por táxis com passageiros. Fazer esse alargamento das vias expressas, já foi feito a do Boqueirão até o Centro, a gente pretende fazer no eixo leste-oeste para tornar mais agéis fazendo com que o expresso, o expressão, ultrapasse para dar mais agilidade. São algumas das propostas que a gente tem. E investir também na rede cicloviária, que não é um transporte coletivo, mas é um transporte que tem que ser visto como uma possibilidade de locomoção numa cidade, não só de lazer. Então fazer uma rede cicloviária integrada ao transporte coletivo, fazendo bicicletário não só nos terminais, mas nas estações tubos. E que se faça da (praça) Rui Barbosa o grande marco zero da bicicleta e que nos bairros essa malha seja integrada com as escolas para facilitar o deslocamento das pessoas para a escola e para o trabalho.
FOLHA - Vamos falar um pouco de trânsito agora. O congestionamento aumentou, ninguém nega isso. Por que e como é possível resolver esse problema?
GLEISI - Aumentou porque se tem um número maior de carros na rua. Hoje nós temos quase um milhão de veículos em Curitiba, para 1 milhão e 800 mil habitantes e a cidade não cresceu estruturalmente para isso, continua da mesma forma. Eu acho que a principal ação é um investimento no transporte coletivo. As pessoas fazem avaliação de custo-benefício. O que é melhor, eu deixar meu carro em casa e pegar o ônibus ou deixar o ônibus e ir com o carro? Atualmente, em Curitiba as pessoas têm avaliado que é melhor ir de carro. Ou porque se torna mais cara a tarifa pelos trajetos que ela vai fazer ou porque o ônibus está superlotado e fica mais demorado. Então nós temos que ter medidas para que o custo da tarifa seja mais baixo, para que os ônibus não estejam superlotados e para que eles sejam mais rápidos do que estão sendo. A partir disso as pessoas avaliam para ir para o transporte coletivo. Temos que ter a opção da bicicleta, isso é importante e tem muita gente que gostaria. Só que as nossas ciclovias não são seguras, são feias, malcuidadas, são um filetinho de asfalto e não tem sinalização. Nós temos que fazer ciclovias decentes, bem sinalizadas, iluminadas, em lugares seguros, que elas estejam compondo a malha viária do município e que não fiquem isoladas. Andar de bicicleta é na rua, não é na calçada. Então é inconcebível você ter ciclovia em cima de calçada. Faz na rua a ciclofaixa com todas as garantias de segurança, com os tartarugões, enfim, se nós tivermos uma boa rede de ciclovias, nos estão estimando que 160 quilômetros de rede cicloviária integraria bastante com o transporte coletivo, de forma integrada com o transporte coletivo, eu tenho certeza de que muita gente usaria a bicicleta. E resgatar a educação no trânsito. Curitiba já teve campanhas educativas para melhorar a relação no trânsito, o convívio, que hoje não tem mais, nós temos que resgatar.
Gleisi Hoffmann
Principais propostas
- Implantação do metrô com apoio do governo federal.
- Criação do Centro Municipal de Desintoxicação para atender usuários de drogas.
- Bilhete Inteligente: o usuário pode pegar mais de um ônibus com uma única passagem sem precisar ir até os terminais.
3 Transformar a Linha Verde em Eixo Metropolitano.


