Gleisi garante que PT terá candidato próprio
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domingo, 02 de novembro de 2008
Bia Moares<br>Especial para a Folha 
Curitiba - Derrotada no primeiro turno para a Prefeitura de Curitiba, Gleisi Hoffmann não está parada. Diz estar totalmente voltada para a presidência do PT do Paraná tarefa que ela assume ser uma novidade, e para a qual pretende se dedicar bastante, também de olho em 2010. Com um discurso diferente daquele que a pautou como candidata a prefeita da Capital, a petista concedeu entrevista demonstrando maturidade e visão ampla da atividade política.
Reconheço que fazer articulação política é uma coisa nova para mim, pois atuei no campo eletivo. É por isso mesmo que pretendo me dedicar totalmente ao partido, estar atenta, aprender e dar o melhor de mim, avalia. Para Gleisi, a conversa de que o PT saiu enfraquecido das urnas é balela. Demonstrando enxergar a política sob ângulo mais aberto, ela afirma que o partido saiu unido e coeso, não tem nada disso que andaram ventilando sobre racha nem brigas internas.
A petista diz, ainda, que não vê mais espaço para polarização entre dois grandes grupos no Paraná. O cenário pode, e vai, mudar. Este é o momento de renovar as lideranças políticas, diz. Ela cita o senador Alvaro Dias (PSDB) como exemplo de liderança forte, que atua independentemente dos dois grupos que vêm se alternando no poder.
Gleisi concorda que Beto Richa surge como nome forte dos tucanos, mas acredita que para 2010 o cenário é bem mais amplo, mais aberto. Cita os nomes prováveis além dos candidatos do PT para corroborar. Alvaro, Pessuti, Beto, Osmar, além do PT... o quadro é variado, conclui.
Pé na estrada
As 32 prefeituras que o PT fez no Paraná são importantes, afirma Gleisi. Aprendi muito nas duas eleições em que fui candidata. Agora vou viajar muito pelo interior do Estado, conhecer nossa atuação política, principalmente nessas prefeituras e nas outras 140 onde vencemos indiretamente, através de coligação. O objetivo desse mergulho pelo Paraná é fortalecer o partido e preparar o PT para a eleição de 2010. Gleisi garante que o partido terá candidato próprio ao governo.
Os nomes cogitados são os que ela divulgou nessa semana em visita à Assembléia Legislativa: Jorge Samek, Paulo Bernardo, Ênio Verri ou Nedson Micheletti. Jogo de cena para ventilar possíveis coligações? Gleisi garante que não. Eleição é um jogo onde se perde ou se ganha. Se o resultado é perder na urna, o processo eleitoral sempre é válido para fortalecer o partido, ganhar experiência, diz. Ela lembra, ainda, da tradição histórica de o PT paranaense ter candidatura própria para o Palácio. Só em 1998 não tivemos candidato do PT concorrendo.
Sobre possível rejeição de eleitores paranaenses, especialmente dos curitibanos, ao PT, Gleisi tem opinião formada. Vanhoni encostou no Cassio para a prefeitura, eu mesma fiz grande votação para o Senado. O que se deve ter em mente na avaliação é o benefício da imagem do presidente Lula. Mesmo me apoiando nesta eleição, o governo federal ajudou muito o prefeito Beto Richa, indiretamente, com toda a ajuda que concedeu em termos de verbas para obras e infra-estrutura da cidade, aponta. Por outro lado, é equivocado acreditar que o prestígio e a popularidade do presidente, por si só, refletem no candidato que ele apóia diretamente, finaliza a presidente do PT paranaense. (B.M.)


