Que atire a primeira pedra: quem nunca teve problemas ao bater o olho em uma calça ou blusa de lançamento de coleção, comprar a peça e, ao chegar em casa, constatar que o que a etiqueta e o manequim expressam não está em sintonia com o que o espelho mostra. A cena de calças ora ''pula-brejo'', ora apertadas, e de blusas ora justas, ora ''modelo gestante'', não sai de foco.
Acadêmica do 4º ano de Engenharia Elétrica, a londrinense Priscila Wanderlei Estima, 22 anos, tem 52 quilos distribuídos em 1,70 metro de altura. E enfrenta a maratona de loja em loja, quando sai às compras.
''Quando vou comprar roupas, já sei que preciso reservar tempo para entrar no provador: há bastante variação de tamanhos em todos os tipos de peças, principalmente das calças jeans'', lamenta.
Em algumas situações, como revela, a diferença chega a dois números. ''Com certeza comprar calça é sempre mais difícil. A variação de uma loja para outra é enorme e acredito que isso não seja um problema nacional. Recentemente, minha irmã trouxe dos Estados Unidos alguns modelos de marcas diferentes, porém apenas uma deu certo: algumas ficaram grandes demais, outras justas e por aí vai'', relembra.
Fã do básico na hora de se vestir, a loura, que opta sempre pela combinação jeans, blusinha e salto, hasteia a bandeira de medidas universais, do P ao Extra-G. ''Seria um avanço se o 36 da marca X fosse equivalente ao 36 da marca Y... Se ocorressem mudanças, trazendo uma regra para o P, M, G e GG, talvez não houvesse a necessidade de provar tantas peças para encontrar apenas uma.''
Membro de uma comunidade no Orkut que pede o fim do tamanho único, a paulista Patrícia Veloso, 26, acredita que muitas das roupas comercializadas pelas lojas só servem para as manequins de vitrine. ''Agora, com a moda de tudo mais largo, determinadas peças no manequim que uso, que é 40, me deixam parecendo um boneco de ar de posto de gasolina.''
Encontrar uma calça jeans que sirva em seu corpo também não é missão das mais fáceis. ''Como é possível inventarem uma peça de roupa que sirva bem em todos? E os tamanhos intermediários? Por que não investem mais nisso? Já vi em alguns casos, mas sou partidária da criação do 37, 39... Com isso, quem sabe, teríamos calças que passassem no quadril e ao mesmo tempo não ficassem enormes na cintura.''
Em tempos da modelagem mais larga para blusas, que vêm em tamanho único, Patrícia, que cursa Design em Moda, já perdeu a paciência com muitas vendedoras. ''Agora, com as mangas-morcego, batas e demais peças largas, se você não joga um cinto por cima, fica com aspecto de que está grávida de nove meses. A indústria deveria dizer não ao tamanho único.''
Ginástica começa cedo
Para a cirurgiã-dentista Fabiane Stocco Trintin, a ginástica no provador começou na infância da filha. Mãe de Maria Eduarda, 5, Fabiane recorda que a diferença nas roupas, para a filha, já era notada na compra dos primeiros macacões. ''A alteração de uma marca para outra era evidente: enquanto um macacão ficava perfeito para a idade, o outro não fechava.''
Atualmente, Fabiane se diz ''escaldada'' no momento de escolher o modelito da filha. De peças íntimas, roupas do dia-a-dia, aos trajes de festa, ela prepara o espírito antes de sair de casa, pois sabe que a tarefa não será fácil.
''Os conjuntinhos exigem sempre ajustes, pois se a blusa fica boa no comprimento, a calça fica curta. Daí, a solução é comprar um número maior e fazer a barra'', entrega.
Para pôr fim à trincheira travada com as numerações que não 'batem', a mãe da pequena Maria Eduarda diz-se fiel a algumas marcas. E recomenda boas doses de bom humor.
''Já cheguei a improvisar desfiles com ela e faço da saída às compras uma brincadeira. Quando se trata de um presente para uma amiguinha ou amiguinho dela, sempre levo as medidas anotadas para evitar trocas. Funciona!''
Escolha certa
Para a peça comprada não resultar em troca ou em arremates na costureira, a professora Lucimar Bilmaia Emídio, que é mestre em Design e professora de Modelagem Computadorizada e Gestão de Design de Moda da UEL, sublinha as vantagens de se optar por algumas marcas. ''O consumidor deve eleger as marcas que mais se adaptam ao seu biótipo, pois certamente serão as que melhor o atenderão como público-alvo.''
Em relação à reclamação número um de muitas mães - isto é, a exemplo de Fabiane, mãe de uma garota de 5 anos que veste os tamanhos 10 e 12 - a professora acena com a espera. ''É importante esclarecer que esse é um problema muito complexo, que envolve fatores como alto investimento em pesquisas, heterogeneidade étnica da população brasileira, entre muitos outros.''

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