Getúlio emocionou a cidade
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sábado, 04 de setembro de 2004
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
No dia 24 de agosto de 1954, o presidente Getúlio Vargas suicidou-se no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, e entrou para a história. Uma das figuras políticas mais importantes do País, o gaúcho foi ditador e presidente eleito democraticamente. Na campanha eleitoral de 1950, Londrina também fez parte dessa história. Um dos comícios da campanha eleitoral foi realizado na cidade, mais precisamente na Praça Rocha Pombo, em 18 de setembro de 1950.
O jornalista Edison Maschio, 68 anos, é um dos poucos remanscentes da época que guardam lembranças do evento. Para ele, o discurso ''vibrante'' de Vargas foi o que mais chamou a atenção. ''Era um literato em suas falas e nitidamente nacionalista. Os operários vibravam com o discurso de Getúlio. Hoje, os políticos não despertam mais reações como aquela. Ele tinha um dom messiânico de falar às massas'', rememora o atual diretor do jornal Fatos do Paraná. Então com 19 anos, Maschio estava no início de sua carreira como repórter, no extinto Gazeta do Norte.
A atuação de Getúlio Vargas na criação das leis trabalhistas é apontada por Maschio como a principal causa da adoração dos operários. Segundo o jornalista, nem mesmo os ataques da imprensa ao governo ''deslustraram a imagem de Getúlio junto à classe pobre.'' Ele relembra também que Londrina, na época, era reduto da União Democrática Nacional(UDN), sigla de oposição ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de Vargas. Os principais nomes udenistas de Londrina eram Milton Menezes, Hugo Cabral e José Hosken de Novaes.
Em aliança com o PSP, o então senador Vargas foi o vencedor da eleição com 48% dos votos do País, derrotando o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN) e Cristiano Machado (PSD). Na oportunidade, Milton Menezes foi eleito prefeito de Londrina. A visita de Getúlio Vargas à cidade foi organizada pelo jornalista e amigo pessoal do então candidato, Ciro Ibirá de Barros, que depois ocupou o cargo de prefeito de Ibiporã (14 km a leste de Londrina). O derrotado foi Darcírio Egger, que tinha o apoio do PTB.
O presidente, no entanto, não terminou o mandato. Acusado de corrupção pela UDN, ele sofreu pressão de militares. Após o atentado que feriu o jornalista Carlos Lacerda, maior opositor de Vargas, e matou o major da Aeronáutica Rubens Vaz de Carvalho, o presidente cometeu suicídio. Na manhã de 24 de agosto, ele ''saiu da vida para entrar na história.'' Na célebre carta-testamento, Getúlio Vargas profetizou ou, pelo menos, expressou um desejo que, de certa forma, tentou cumprir como governante da corrente do trabalhismo: ''Mas esse povo não mais será escravo de ninguém.''


