Gestão profissional, a nova realidade nos condomínios de Londrina

Novas demandas, regras e legislação abrem espaço para as empresas de administração condominial

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA


Movidos pela profissionalização do serviço, mais 70% dos condomínios de Londrina terceirizaram sua administração
Movidos pela profissionalização do serviço, mais 70% dos condomínios de Londrina terceirizaram sua administração | iStock
 


Mais de 70% dos condomínios de Londrina já adotaram a gestão profissional como prática. Do total de 1.631 unidades condominiais, 1.198 são administradas por terceiros e 433 adotam o sistema de autogestão. Segundo o Secovi-PR (Sindicato da Habitação e Condomínios), em Londrina 195 mil pessoas moram hoje em condomínios, o que representa um terço da população da cidade 


Administradoras de condomínios em Londrina destacam que a procura pelo serviço tem se intensificado nos últimos cinco anos e o crescimento vem ocorrendo ano a ano. Por conta da demanda, muitas empresas têm também investido no aumento de colaboradores para darem conta de mais clientes. 




A diretora de administração condominial do Secovi de Londrina, Ana Maria Losi Marques de Jesus, considera que a gestão profissional é o melhor caminho para uma vida em condomínio mais segura, tranquila e pautada na lei. “Sem contar a facilidade que existe de um síndico profissional naquelas situações mais melindrosas, que envolvem advertências e multas que, muitas vezes, o síndico morador se sente até inibido de ter de aplicar porque é um vizinho amigo, é um vizinho conhecido”, pontua. 


Ana Maria acredita que a gestão profissional de condomínios tende a crescer, já que os moradores têm percebido que ser síndico não é algo simples como era visto há 10, 20 anos. “Existem várias normas, legislações que têm de ser conhecidas e obedecidas. Fora o tempo que é necessário ter disponível para ter uma equipe que atenda bem, faça as manutenções necessárias e acompanhe tudo”, destaca. 


 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 


O diretor da Ápice Condomínios, Frederico de Almeida, considera que a contratação de uma empresa administradora ou de um administrador autônomo não substitui o trabalho do síndico no condomínio. 


“Nessas situações, o síndico deixa de ter um papel de gestor direto e se torna um misto de supervisor e chefe. Ainda é ele quem dá as ordens à administradora e busca garantir que todos os serviços sejam executados conforme o contrato, a legislação e as normas internas do condomínio”, explica. 


Almeida acrescenta que, com a presença da administradora, é possível que o síndico possa se dedicar a outras funções do mandato, como buscar melhorias para os moradores ou formas de diminuir o valor das cotas condominiais. “Não cabe à administradora tomar decisões pelo condomínio, pois esse papel é único e exclusivo do síndico.” 


 Segundo o artigo 1.348 do Código Civil, o síndico é o responsável direto pelo condomínio, podendo responder civil e criminalmente por problemas na gestão. “Dessa forma, existe uma responsabilidade solidária entre condomínio e administradora.” Sendo o síndico morador ou não do condomínio, deve ser eleito em assembleia. 


CRESCIMENTO 


 O diretor jurídico da Predial Condomínios, Jadson Molina, destaca que a atividade do síndico profissional tem crescido muito por conta das transformações nos condomínios. 


 “Os condomínios atuais se transformaram e hoje são verdadeiros clubes, com diversas áreas de lazer e muitos moradores. Desse modo, muitas vezes nota-se a insegurança de moradores em assumir a gestão dos condomínios, tornando-se viável a figura do síndico profissional que, com a prática de gestão, poderá tornar o condomínio mais eficiente.” 


A sugestão dele, no entanto, é que junto com o síndico profissional seja eleito um grupo de moradores como subsíndico e conselheiros para atuar em conjunto com o profissional escolhido. “A figura do morador e a visão dele são essenciais para a gestão eficiente de um condomínio. Como diz o ditado, o morador é o olho do dono.” 


 


RESPONSABILIDADE


FUNÇÕES DAS ADMINISTRADORAS DE CONDOMÍNIOS 


- Elaboração da folha de pagamento dos funcionários 


- Emissão de boletos de pagamento da taxa condominial 


- Organização da pasta de prestação de contas 


- Realização do demonstrativo de receitas e despesas 


- Gestão dos pagamentos diários das despesas 


- Assessoria antes e depois de reuniões de assembleia geral 


- Gerenciamento dos encargos previdenciários mensais 


- Gerenciamento do fundo de reserva e do fundo de obras 


- Prestação de contas dentro do mês 


- Manejar a conta pool, quando houver 


- Fornecer orientação sobre os aspectos legais de cada setor: administrativo, financeiro e trabalhista 


Fontes: Ápice Condomínios e Predial Condomínios 


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