Gestão participativa desenha novo perfil das escolas do PR
Mauro FrassonAlunos da Escola Estadual Santo Antonio, no Bairro Compo Comprido, em Curitiba, simulam votação num projeto do Vale Saber, sobre eleições e história da democraciaA gestão participativa cresceu 134% nas escolas públicas estaduais do Paraná entre 1995 e 1997, segundo revela um estudo feito pela Secretaria Estadual de Educação. Conforme a pesquisa, desenvolvida neste ano, este tipo de administração acumulou 68% de satisfação entre os diretores, professores, alunos e pais ligados às Associações de Pais e Mestres (APMs) de 125 escolas. Para chegar a um estágio ideal, segundo a responsável pelo estudo, pesquisadora Regina Maria Sliwiany, consultora em avaliação de Impactos de Projetos no Projeto Qualidade no Ensino (PQE), a gestão participativa precisa crescer mais 32%.
O trabalho é considerado fundamental para a Secretaria de Educação adotar políticas relacionadas à administração das escolas e de ensino, como tem destacado o secretário da Educação, Ramiro Wahrhaftig. Com a gestão de recursos nas mãos daqueles que vivem a escola, o governo do Estado não desperdiça recursos, nem tempo, defende Regina. O trabalho serve para demonstrar que a gestão participativa melhora a excelência e o entrosamento entre a escola e a comunidade.
Essa descentralização permite às própria escolas gerirem seus recursos e desenvolverem ações dispensando a burocracia. A partir de um planejamento prévio, as APMs gerenciam uma conta bancária que permite a contratação direta de serviços que antes demoravam para ser executados por dependerem de licitações centralizadas na Secretaria de Educação. O resultado imediato é o barateamento do custo.
Os parâmetros para que coordenação da gestão participativa possa afirmar que houve avanços desde a implantação foram desenvolvidos antes da pesquisa de campo, já que o trabalho é inédito. Junto com uma equipe da Secretaria de Educação, Regina Sliwiany estipulou critérios que pudessem dar subsídios a uma avaliação do crescimento da gestão participativa. Não havia como medir a participação e a mobilização da sociedade nessas gestões, pois indicadores convencionais não existem, justifica ela.
Para a análise, a pesquisadora adotou os chamados itens medidores, como o nível de satisfação das escolas com a quantidade e qualidade do material pedagógico, o nível de satisfação com a qualidade do quadro de pessoal, o número de escolas que possuiam APMs e de escolas que mantêm parcerias com organizações e entidades da sociedade.
Tais itens foram divididos em dois grupos. O primeiro, de autonomia escolar e nível de descentralização da administração da escola, no qual foi avaliado o nível de satisfação administrativa. O segundo, de descentralização pedagógica, cujo enfoque mede a participação da comunidade, os níveis de mobilização e abertura de canais de organização e comunicação.
Seguindo esses parâmetros, o estudo verificou que um dos pontos que impediram um crescimento maior da gestão participativa foi a falta de funcionários nas escolas. Regina afirma que a falta de pessoal é um ponto de estrangulamento das gestões. Apenas 28% das necessidades das escolas com funcionários é satisfeita, segundo os entrevistados. É o índice mais baixo de todo o trabalho.
A mobilização da comunidade também teve índice considerado baixo (54%), principalmente se comparado com a avaliação de abertura dos canais de organização e comunicação entre as escolas e a Secretaria, que atingiu a aprovação de 90% dos entrevistados. O importante para um administrador é saber o quando falta e o que deve ser feito para se chegar a um nível ideal, diz Regina.
Os pontos positivos, segundo o estudo, são a criação e legalização de APMs, que cresceram de 66 para 1.839 em dois anos (2.686%), e os níveis de abertura de canais de organização e comunicação. Para a técnica educacional do PQE, Ana Maria Bastian, a criação das APMs é muito importante para a independência administrativa das escolas, já que elas só podem receber recursos finaceiros de entidades, sejam públicas ou privadas, através das associações.





