Geração de mais empregos requer modificações
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sábado, 30 de abril de 2005
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 2004 foi o ano de maior criação de vagas no mercado formal de trabalho no Paraná, desde a década de 90. O resultado do ano passado, com abertura de mais de 120 mil vagas, não será superado neste ano segundo o economista do Dieese, Cid Cordeiro. Para 2005, o Dieese prevê a geração de 80 mil a 100 mil vagas no mercado formal no Estado.
De acordo com Cordeiro, no Paraná, o interior foi o grande responsável pela abertura de vagas no mercado de trabalho formal em 2003 e 2004. Em específico, três setores foram os responsáveis pela ampliação das contratações: indústria de alimentos, vestuário e madeira e móveis. Outro fator que contribuiu para abertura de vagas no Estado foi o bom desempenho da agricultura.
Neste ano, Cordeiro avalia que, por causa da quebra na safra de grãos, as cidades cuja economia está mais atrelada à agricultura irão ter redução no número de vagas. Nesse caso, o setor de comércio dos municípios seria o mais prejudicado.
Entre os desafios para ampliação do número de vagas no mercado formal, Cordeiro destaca a necessidade de crescimento sustentável para o país, redução dos juros e diminuição da carga tributária. Ele defende também a elaboração de uma política de longo prazo para melhoria do valor do salário mínimo e a redução da jornada de trabalho como medidas que ampliam o número de empregos.
Na avaliação da professora do departamento de ciências econômicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Fátima Campos, entre as medidas necessárias para alavancar a geração de vagas no mercado de trabalho está a expansão do crédito para as micro e pequenas empresas como uma das alternativas. ''São as micro e pequenas empresas as que mais geram emprego e renda. Como elas dispõem de pouco capital acabam sendo as mais afetadas pela política de juros altos'', analisa.
Outras ações cabíveis para a diminuição do desemprego, atualmente em 10,8% segundo a última pesquisa divulgada pelo IBGE, seria o incentivo à formalização de empresas que hoje atuam na informalidade, facilidade de crédito para os consumidores, desoneração das exportações, além de incremento nos programas de inclusão social.
Fátima critica a falta de investimentos do governo brasileiro em setores de infra-estutura como o energético e transportes. Sem destinação de recursos para infra-estrutura, caso tenhamos um desenvolvimento muito acelerado, o país poderá sofrer algum colapso nesses setores, alerta.
Atualmente, ao avaliar a taxa de desemprego, Fátina menciona que existe um descompasso entre a oferta e demanda de mão-de-obra. Esse problema poderia ser resolvido com a implantação de projetos de qualificação dos trabalhadores segundo as características de cada região.
Os dois economistas ressaltam que o volume real de desempregados não está refletido nos índices de desemprego mais divulgadas pela mídia. O volume de trabalhadores fora do mercado formal seria bem maior do que os 10,8% mostrados pelo índice nacional e os 7,5% índice do Paraná, dado este que se repete em Londrina. Fátima esclarece que existem vários tipos de desemprego entre eles o por desalento. Os profissionais que acabam deixando o mercado formal de trabalho acabam engrossando a massa de trabalhadores informais.


