O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado no final de fevereiro pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostrou que o Paraná foi um dos quatro estados que registraram aumento na criação de empregos formais em janeiro. Mesmo ante o desaquecimento da economia, houve mais admissões do que demissões no Estado no primeiro mês do ano, gerando um saldo positivo de 6.713 postos de trabalhos, segundo o relatório. E o interior concentrou a grande maioria das ocupações, com 79,11%. É fato que em tempos de retração econômica, PIB baixo e câmbio desvalorizado, o aquecimento do mercado de trabalho deve ser encarado com certo otimismo. Mas será que a mão de obra empregada tem atendido às necessidades da cadeia produtiva em relação à sua capacitação?
O professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Porsse, observa que do ponto de vista da oferta de mão de obra a Região Norte tem um potencial "muito grande", mas sua estrutura produtiva não consegue absorver todo esse potencial em relação à alta qualificação. Ele cita o último levantamento do RAIS, de 2013, que mostra que 19% da mão de obra empregada em nossa região tem formação superior. "Nesse sentido, a diversificação da cadeia produtiva é importante para o desenvolvimento, mas depende de outros elementos, e não é só a região que vai necessariamente conseguir promover uma agenda de adensamento produtivo, é preciso ter uma articulação com o governo estadual e muitas vezes federal também", aponta o economista.
Para Porsse, é importante que a produtividade da região seja cada vez mais elevada para reter os profissionais qualificados formados em nosso polo universitário ou atrair graduados de outros centros. Há uma correlação entre os dois fatores. "O ideal é que você encontre outros nichos de atividade econômica que possam ser estimulados na região, por meio de política pública mesmo, e que possam apropriar essa oferta qualificada de mão de obra. Alguns estados têm desenvolvido políticas de parques tecnológicos ligados à localização das universidades. É uma estratégia que pode ser pensada. No caso do Paraná e a Região Norte já há uma vocação natural em função das universidades que estão aí. Alguns instrumentos de política de desenvolvimento regional são necessários também", pontua.
Em relação ao potencial de desenvolvimento de toda a região, o diretor executivo da Agência Terra Roxa Investimentos, Alexandre Farina, afirma estar convicto de que o setor de alimentos é "imbatível". "Temos um cenário totalmente favorável: a matéria-prima produzida aqui, que é a produção agrícola em grande escala, fácil acesso na infraestrutura para escoamento da produção para os grandes centros, um mix de logística que nos torna competitivos, e temos um custo mais baixo, de locação de terrenos, de imóveis. A mão de obra, além de ser qualificada, também tem um custo mais baixo". (D.P.)

mockup